A ciência por trás da felicidade #1 - emprego e dinheiro
Olá malta!
Hoje venho falar-vos de um curso online que estou a fazer na Universidade de Yale, "A Ciência do Bem-Estar".
"A Ciência do Bem-Estar" tem uma estrutura curricular muito interessante e qualquer pessoa pode fazer o curso de forma gratuita, se não quiser pagar o certificado de participação.
Para quem não conhece, a plataforma Coursera é uma óptima referência para quem quer expandir os seus horizontes, e para quem quer ter acesso a milhares de cursos leccionados pelas melhores universidades do mundo. A melhor parte: é tudo gratuito! Existe a opção de obter o certificado oficial para quem quiser enriquecer o currículo, que no fim de contas nem é assim tão caro.
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Ora, "A Ciência do Bem-Estar" é lecionado por Laurie Santos, Professora de Psicologia e Diretora da Faculdade Silliman em Yale, e mostra os estudos científicos mais impressionantes que vocês possam imaginar sobre a felicidade e o que afinal nos move e nos faz feliz. Ao longo destes posts vou comentar convosco os principais resultados e conclusões. Ao fim e ao cabo, acabam por tirar o curso comigo.
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Um resumo do que se aprende e dos principais resultados da ciência:
Atenção que isto está cientificamente provado em diversos estudos feitos ao longo das últimas décadas. Não são balelas. Para quem estiver interessado em descobrir mais, aconselho muito fazerem o curso. Os vídeos são curtos e interessantes, e todas as referências e estudos de que falo aqui, estão no conteúdo do curso.
A falácia de G.I. Joe. A ideia errada de que "saber" é metade do caminho andado. Não é metade do caminho nem é o suficiente para mudar comportamentos. Um exemplo muito simples: vejam a imagem de baixo. É uma ilusão de óptica, sabemos que no fundo as linhas têm o mesmo comprimento, mas não é possível ensinar os nossos olhos a ver as linhas tal como são. Continuam a parecer-nos diferentes. Certo? Então, "saber" não é suficiente para mudar o nosso comportamento.

Um bom emprego. Perguntaram a recém graduados qual seria a descida na sua felicidade, caso não conseguissem passar numa entrevista de emprego. A maioria respondeu que depois da notícia, a felicidade cairia cerca de 2.10 pontos em 10, quando na realidade, depois de acontecer, desceu apenas 0.68 pontos. Ok, e se a decisão de contratar fosse muito injusta para eles, como se a empresa estivesse a perder o melhor candidato? A média previa uma descida de 1.9 mas a descida real foi de 0.0 pontos. Na cabeça deles, lá arranjaram uma desculpa qualquer, e não aqueceu nem arrefeceu.
Outro inquérito revelou que o que as pessoas querem num emprego é um bom salário. Mas então, o que é um bom salário? Que número é suficiente para nos fazer feliz? E o que é ganhamos agora? 5 000€ por ano? 10 000€? 100 000? A verdade é que depende do que ganhamos. E em todos estes patamares as pessoas queriam sempre mais. Nunca é suficiente. Nos EUA, as pessoas gastaram 70 150 000 000$ em raspadinhas no ano de 2015. Isto é mais do que livros, música, bilhetes de cinema, de desporto e videojogos juntos.

Um outro estudo que fizeram em mais de 300 universidades mostra como os "ideais" de vida mudaram nas últimas décadas. A figura de cima mostra os principais resultados de um inquérito nacional (mais uma vez nos EUA) feito todos os anos entre 1967 e 2005. E então o que é que para "nós" é mesmo muito importante na vida - estar bem financeiramente ou desenvolver uma filosofia de vida significativa? Os papéis invertem-se, e hoje, claramente, o dinheiro é mais importante.
Muitos estudos foram ainda feitos sobre a correlação entre o salário e a satisfação de vida. Para terem uma noção, uma correlação de 1 significa que a satisfação de vida aumenta conforme o salário que temos e vice versa, sem qualquer outro tipo de interferência e factor. Na realidade, a correlação entre uma coisa e outra é de 0,10, a média entre diversos países analisados. Nenhum deles apresentou uma correlação maior do que 0,24. Houve até valores negativos, como no Brasil e na Finlândia.
O estudo não foi feito em Portugal, mas a correlação é provavelmente muito alta, derivada principalmente à percentagem da população a salário mínimo e das nossas crises constantes e falta de condições laborais. A vida nos EUA e no norte da Europa é muito melhor do que a nossa, não há dúvidas disso. No entanto o Brasil também tem muita pobreza e o povo é feliz de qualquer jeito. Afinal é de onde vem o samba, não é? E nós cá temos o nosso Fado.
A verdade é que o mesmo estudo foi feito comparando as nações ricas às pobres, e enquanto a felicidade em povos ricos se manteve constante, a felicidade nos povos mais pobres aumentou muito, conforme vêem na imagem em baixo. O acesso aos serviços a que muitos estamos habituados, nomeadamente água canalizada, saneamento ou rede elétrica, fazem diferença na escala da felicidade para quem não os tem. E portanto, a partir do momento em que temos dinheiro para as nossas necessidades básicas, o dinheiro não nos traz muito mais felicidade (ao contrário do que o marketing diz).
Outros estudos revelam ainda que a partir do momento em que temos dinheiro para as nossas necessidades básicas: não existe diminuição de stress, não existe alteração em sensações e emoções positivas (rir, felicidade, divertimento diário) nem diminuem as preocupações ou tristezas.

A verdade é que com o acesso a toda a tecnologia que temos hoje em dia, todas estas "chupetas" que nos entretêm, a felicidade não aumentou. Pelo contrário:

Comparando com a geração da década de 40, os novos adultos de hoje em dia crescem com muito mais dinheiro, menor felicidade e maior risco para a depressão e patologias sociais. Isto vai contra às melhorias de vida e condições para o bem-estar que têm surgido nas últimas décadas. Não faz sentido nenhum.
Eu gostava muito de colocar aqui todos os estudos e resultados do resto do curso, mas o texto já vai longo. Ao longo dos próximos dias irei fazer algumas publicações a respeito deste assunto.
Até breve! ![]()