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Rumo ao Minimalismo

A minha viagem ao minimalismo, desperdício zero e vegetarianismo - Estou quase, quase lá!

Rumo ao Minimalismo

A minha viagem ao minimalismo, desperdício zero e vegetarianismo - Estou quase, quase lá!

A ciência por trás da felicidade #5 - absolutismo vs relativismo

Rita (porque minimalistas há muitas), 18.09.19

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Resumindo, já sabemos que um bom emprego, muito dinheiro, coisas incríveis, amor verdadeiro e o corpo perfeito não têm qualquer impacto ou não contribuem assim tanto para a nossa felicidade. Todas estas coisas que achamos que nos farão felizes, não o fazem. Isto é ponto assente. O nosso cérebro diz-nos que queremos certas coisas, mas está errado e inebriado. No entanto, a generosidade e as nossas conexões sociais mudam a figura, conforme vimos ontem. 

Mas vamos ao que nos interessa por hoje.

Existem então algumas características irritantes da nossa mente, como falámos há uns dias. Coisa irritante da nossa mente n.º 1: A intuição. As nossas maiores intuições estão muitas vezes erradas. Tanta vez que vejo gente espalhar-se em programas de perguntas por causa da maldita. 

Então e mais?

Coisa irritante da nossa mente n.º 2: Nós não pensamos em termos absolutos. Não pensamos na verdade verdadinha e absoluta das coisas, e ao invés disso, procuramos argumentos em termos relativos. Estamos sempre a julgar em relação a diferentes pontos de referência. 

O que é um ponto de referência? É uma situação padronizada (pouco relevante) com a qual comparamos situações. Vejam a imagem em baixo:

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Se acompanharam as minhas publicações anteriores, já sabem que os círculos laranja são do mesmo tamanho. De qualquer forma, os nossos olhos e a nossa intuição diz-nos que o do lado direito é maior. Ora, os pontos azuis, os nossos pontos de referência, fazem com que nós achemos o laranja do lado direito, maior, porque os azuis são muito mais pequenos relativamente ao do centro. E vice versa.

Neste caso, estamos a pensar em termos relativos e não absolutos. Na presença de pontos de referência, vemos as coisas de forma diferente e mexe com a nossa argumentação e forma de ver as coisas.

Outro exemplo, quando alguém fala da condição médica de um sénior, imaginemos um AVC. Alguém contradiz "Ah, mas o senhor Joaquim também teve, e está muito pior - até deixou de falar por um tempo", como se a primeira situação não tivesse tanta importância. Na realidade, a situação "mais irrelevante" é a do Sr Joaquim que na altura foi alvo de preocupação, mas já está diagnosticado, medicado e entretanto a fala voltou. Ora, é como se o ser humano estivesse programado para relativizar tudo e todos em determinadas situações. Confesso que é uma das coisas que mais me irrita neste mundo e não me sabia expressar. Agora já sei. 

Mas esta coisa da relatividade, mexe mesmo com a nossa felicidade? Porquê?

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Vamos então a uma história verídica. Vejamos na imagem em cima, uma das muitas medalhas de ouro que o Michael Phelps ganhou. A felicidade está lá, obviamente. E agora em baixo:

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O rapaz que ganhou a medalha de prata está feliz, mas não tanto como o Michael Phelps. Porquê? Porque usa a medalha de ouro como referência. Mas aqui a questão muda de figura quando vemos a imagem de baixo:

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O rapaz que ganha a medalha de bronze tem um ponto de referência, que é não ganhar medalha nenhuma. Para ele, o facto de ter ganho uma medalha é extasiante e nem pensa noutra coisa. Está estampado na sua cara. Se o seu ponto de referência fosse a medalha de ouro, estaríamos perante uma pessoa nitidamente menos feliz que os outros dois. 

E a verdade é que a imagem é só uma parte do estudo. Durante os jogos olímpicos, colocaram câmaras em todo o lado. No momento em que os participantes sabiam da sua pontuação e no momento em que ganhavam as medalhas. Os que ganharam medalhas de bronze apresentavam um grau de felicidade razoavelmente maior do que os que ganhavam medalhas de prata. Impressionante, não é? Não é o valor da medalha que ganhámos, é o valor da que podíamos ter ganho, que importa. 

Em Portugal temos muito aquela coisa do "Vá, pergunta. O "não" é sempre certo". E se o "não" fosse o nosso ponto de referência? "Não, não te dou um gelado". "Não, não vais ter um aumento nos próximos anos". "Não, não passaste no exame". Interessante como o povo se conforma com grande parte das medidas de austeridade, mas depois em coisas simples baixa o seu nível de felicidade. 

E agora que sabemos isto tudo, um bom emprego, muito dinheiro, coisas incríveis, amor verdadeiro e o corpo perfeito só não causam impacto na nossa felicidade porque vemos estas coisas como pontos de referência e não pelo valor que elas valem. Olhamos sempre para coisas que a nosso ver, são melhores do que o que já temos. Daí a infelicidade das pessoas que recebem aumentos e que perdem peso. Há sempre alguém com mais e melhor. 

Num estudo de 1999, os autores disseram que por cada dólar que sobe o nosso salário, acabamos por querer mais 1,40 no futuro. É um poço sem fundo.

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Mas o pior ainda está por dizer. Acontece que a pior forma de relativismo é quando o fazemos em relação a outras pessoas, a chamada comparação social. Em 1996, estudaram a satisfação de emprego em 5000 trabalhadores ingleses, e o que descobriram foi que a mesma diminuía à medida que a comparação aumentava. Se os nossos colegas de trabalho ganham mais, a nossa probabilidade de estar menos feliz com o nosso trabalho é maior. 

Em 1998, perguntaram a estudantes de Harvard "Qual é o salário que tu preferes?" 

Opção 1: Ganhar 50 000, enquanto os outros ganham 25 000;

Opção 2: Ganhar 100 000, enquanto os outros ganham 250 000.

O leitor pensaria que o pessoal fosse escolher a opção 2, afinal é o dobro do salário da opção 1. Mas desenganem-se. 56% das pessoas preferiram a opção 1. 

As pessoas preferem receber metade do salário por saberem que vão ganhar mais do que os outros. 

E se vos dissesse que estando desempregadas num local onde há normalmente pessoas desempregadas, não nos parece ser assim tão mau? Estamos tão envolvidos em comparações sociais, que mesmo em situações extremas de desemprego nos deixamos afectar pelas pessoas à nossa volta. 

E se vos dissesse que quanto mais horas passamos em frente à TV, mais nos comparamos relativamente a pessoas com maior salário? Programas como Keeping Up with the Kardashians , The Real Housewives of Beverly Hills, ou na nossa portuguesa que passam o dia a dizer 760! podem estar na origem disto. E mais! Noutro estudo, por cada hora que as pessoas gastam a ver TV, gastam mais 4$/semana em despesas de casa. 

Eu revejo esta situação na faculdade, quando os alunos recebem as pautas das notas. Sabendo tudo isto que acabei de aprender, agora consigo identificar e separar as pessoas felizes com as suas próprias vidas e as que não são assim tanto. As pessoas realizadas e de sorriso na cara, e as que não são. Mesmo depois de saírem da faculdade e pensando um pouco na sua forma de estar e de ver a vida atualmente, são as que menos se importavam com as notas apesar de terem acabado o curso como todos os outros. E mesmo não tendo convivido com algumas pessoas no tempo de faculdade, nota-se logo quem não está nem aí para o que os outros pensam, fazem ou ganham. As pessoas são genuinamente mais felizes. 

É impressionante, como esta nossa máquina funciona. 

Outros estudos foram feitos com base na comparação. Por exemplo, mulheres que vêem fotografias de modelos em revistas (apesar de serem todos photoshopadas), ou homens que comparam a sua felicidade com a sua esposa antes e depois de olharem para estas mesmas fotos, ou então adolescentes que usam as redes sociais. Todas diminuem o nível de felicidade. Todos os estudos apresentam a mesma tendência. É terrível. 

A ciência por trás da felicidade #3 - E afinal?

Rita (porque minimalistas há muitas), 11.09.19

Ora, vejamos. Se ter um bom emprego, muito dinheiro, coisas incríveis, amor verdadeiro e o corpo perfeito não impactam verdadeiramente a nossa felicidade, o que é que fazemos? Afinal, o que é que temos de fazer para sermos felizes?

Uma coisa é certa. Todos os estudos que apresentei não foram feitos com as mesmas pessoas, e se um indivíduo tem muito dinheiro mas não tem um corpo perfeito, pode ser que seja infeliz por isso. Se algum dos leitores conhecer alguém que tenha um bom emprego, muito dinheiro, coisas incríveis, amor verdadeiro e o corpo perfeito, avise-me, porque precisamos de ter uma conversa.

Será que o CR é feliz? Dinheiro lá ele tem. Amor também não lhe falta. Coisas incríveis e o corpo perfeito ele conseguiu, e aqueles dentes não devem ter sido fáceis...  Não, não deve ser. Se fosse feliz já tinha parado de bater todos os recordes no futebol, digo eu. Sim, é isso. Faltam-lhe recordes, com certeza. Ou acha que ainda não tem o dinheiro suficiente... Isso. Recordes e dinheiro são o problema. 

Eu acho que é tudo muito relativo. E sinceramente, não acredito que mesmo tendo tudo isto, a pessoa saiba o que é a verdadeira felicidade. Faz parte do ser humano. Sabem aquela anedota das nhanhas? Um certo dia estava um homem cá fora no alpendre com a mão no ar como se estivesse a apanhar qualquer coisa. A mulher pergunta-lhe: "Ouve lá, o que é que estás a fazer?" O homem responde: "Não sei, mas já lá vem outra". Isto praticamente sumariza esta nossa busca incessante pela felicidade, prazer, adrenalina, ou o que quer que seja.

Vá, isto sou eu a pensar convosco e a tirar as minhas próprias conclusões. De qualquer forma, mais para a frente teremos as respostas às nossas dúvidas. Pelo menos, foi para isso que me inscrevi. 

Ora, como não podia deixar de ser, foi feito um estudo sobre isso. Porque raio não somos felizes? Por um lado, pessoas disseram que a felicidade é genética e não pode ser alterada por qualquer outro factor como o dinheiro ou o amor. Por outro, pessoas dizem que sim, é tudo muito bonito, mas na verdade a vida não presta. Prega-nos partidas e há sempre qualquer coisa a acontecer. 

Ambas as respostas estão ERRADAS, e há evidências científicas que corroboram. Estudaram até irmãos gémeos. Na verdade, os genes e as circunstâncias infelizes não são os únicos que participam na equação:

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Pronto, a genética define metade da nossa felicidade. É certo que a epigenética existe, já falámos aqui sobre isso. Por exemplo, pessoas de raça negra sofrem mais por tudo o que passaram nas gerações anteriores, e chegam até a definir comportamentos modernos com base nisso. Então, metade da nossa felicidade dá-se com base no que os nossos antepassados passaram, o que não é muito bom para os portugueses.

Mas mesmo assim, há uma certa relatividade. O meu avô passou algum tempo na guerra. Amigos morreram ao lado dele, sofreu emboscadas, e conta muitas histórias sobre isso. No entanto, é a pessoa mais feliz que conheço à face da terra. Já o outro avô, que não foi à guerra e teve melhores condições financeiras durante toda a sua vida, não é tão positivo como o primeiro. Talvez seja mais uma vez a genética a pregar das suas. 

Mas o que mais me surpreendeu no gráfico foram os 10% da "vida acontece". Ora, coisas como ganhar a lotaria e ter um bebé ou ficar paraplégico e viúvo, afinal não contam assim tanto para a nossa felicidade. O ser humano adapta-se muito facilmente, e estas coisas deixam de ter importância na nossa felicidade. Não é engraçado? 

O que é que sobra? Tudo o que está sob o nosso controlo. As nossas acções e pensamentos contribuem com 40% para a nossa felicidade. Coisas que podemos controlar! Não é o máximo?

Actividades intencionais têm um efeito muito poderoso na nossa felicidade, mais do que quaisquer circunstâncias que ocorram. São coisas que podemos trabalhar, queridos leitores.

Escusamos de tentar ganhar mais dinheiro e comprar coisas incríveis. A verdade exige muito menos de nós do que todas estas coisas que habitualmente queremos alcançar no futuro. 

Mas então um de vós no meio do grupo responde: "Ok, essas coisas científicas podem ser verdade para o resto das pessoas, mas EU serei realmente feliz com o emprego/salário/corpo perfeitos". A Laurie também tem uma resposta para isso. 

Coisa irritante da nossa mente n.º 1: quando pensamos que a nossa mente nos entrega uma intuição, como por exemplo: "eh pá, vou sentir-me mesmo triste se tiver má nota no exame", então essa intuição passa a ser normativamente correta. Mas a verdade é que a nossa mente está sempre a apresentar-nos intuições sobre o que está errado e correto, tantas até que às vezes ficamos na dúvida. No exemplo da imagem com as duas linhas, a nossa intuição torna-se por vezes mais poderosa do que a instância verdadeira. 

Mais um exemplo:

"Se uma bola de baseball e um taco custam 1,10€ juntos, mas o taco custa 1€ a mais do que a bola, quando custa a bola?"

A primeira coisa em que se pensa, intuitivamente, é que a bola custa 10 cêntimos, o que está errado. A bola custa 5 cêntimos, e o taco custa mais 1€ do que a bola, logo o preço da bola tem de estar incluído no preço do taco. Se a bola custasse 10 cêntimos, sobrariam apenas 1€, e não 1€ a mais do que a bola. Portanto, a bola custa 5 cêntimos, e o taco custa 1,05€. 

E a maior parte das intuições que temos sobre a nossa felicidade, também estão erradas.

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Por exemplo, de vez em quando bate o bichinho de jogar os Sims. É o jogo mais vendido a nível mundial, malta. Como é que uma miúda de 89 escapa a isto? E, quando bate, a Rita passa cerca de duas horas a instalar o jogo, porque sabem como é, todas aquelas expansões e objetos levam o seu tempo a instalar. E claro que instalo cada vez que jogo porque, para já, ocupa perto de 80 GB no pc e depois porque a vontade de jogar vem uma vez por ano, e então de alguma forma acabo sempre por desinstalar e voltar a instalar mais cedo ou mais tarde.

Isto tudo para vos dizer que enquanto instalo o jogo, a minha intuição é a de que "Uau! Há tanto tempo que não jogo, vai ser espectacular. É desta que não uso códigos e jogo normalmente. É desta que passo mesmo a jogar regularmente". Bate uma felicidade falsinha, daquelas... E a verdade é que nunca acontece. Nunca! Farto-me passado quase tanto tempo como o que passo a instalar. Enfim.

A maior parte dos objetivos que achamos que nos vão fazer felizes, não o fazem. 

Vá, agora escrevam esta frase 100 vezes num caderno até interiorizarem. 

 

A ciência por trás da felicidade #2 - as coisas materiais, o amor e o corpo perfeito.

Rita (porque minimalistas há muitas), 06.09.19

Na publicação anterior falámos dos erros e mitos mais comuns acerca do nosso "emprego ideal" ou do facto de querermos ter sempre mais dinheiro - e que isso de alguma forma nos traz felicidade. BALELAS. Sim, o dinheiro traz alguma felicidade, mas só até ao ponto de termos todas as nossas necessidades básicas atendidas. E não, não estou a falar do smartphone que sai para a semana nem do novo concept que a BMW lançou para exposição. Pronto, pronto, até aqui já sabemos. Já dizia o Jim Carrey que só queria que toda a gente fosse milionária para perceber que não é esse o caminho.

Mas e o amor? Aquele verdadeiro. O que nos faz ir a uma demonstração da bimby, montar uma horta e ficar endividados com o banco para o resto da vida? Pois é... Também não é o que parece. Ele de facto, existe, mas não tem grande impacto na felicidade. Não depois de um anito ou dois. 

Ora vejamos.

Quanto às "coisas", a Professora Laurie faz um enquadramento muito engraçado do número de vezes que uma marca de carros ou um tipo de bebida aparece em músicas. Aqueles que são os nossos objectivos materiais, as coisas que supostamente nos trarão felicidade quando as comprarmos. 

A verdade é que um estudo feito entre 1976 e 2003, revela que as pessoas que tinham uma tendência materialista no início, acabaram por ser as que tinham menos satisfação de vida em 2003. E mais, por passarem 20 anos à procura destas coisas, acabaram por apresentar mais problemas mentais do que as pessoas que não tinham aspirações materiais. 

Quanto ao amor e ao estudo que decorreu durante 15 anos - as pessoas que se casaram, são ou não são mais felizes? Sim! A sua felicidade aumentou, que alegria! Durante um ano ou dois. Depois disso, a felicidade é a mesma do que as pessoas que não estão casadas. Chama-se o "efeito da lua de mel". Isto, obviamente, para os chamados "casamentos felizes". Os infelizes têm problemas bem maiores do que a diminuição da felicidade, I guess. Portanto, não é por acaso que se fala das crises dos 2, 5 ou 7 anos de relação. 

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E ter um corpo perfeito, ajuda nesta coisa da felicidade? A cara perfeita sem borbulhas e com sobrancelhas depiladas por um ninja asiático?

Óbvio que não, aliás, todas as redes sociais dizem que sim senhor. Ter 40 quilos e um bronze que dura o ano inteiro é que importa. (Newsflash: isso importa para algumas pessoas, não todas. De facto, gostam de falar deste tipo de magreza como se a pessoa fosse um pedaço de carne. Mas quando é para casar... Ai, aí já estamos a falar de outro tipo de corpo. Um que carregue um bebé durante 9 meses e que não se desmanche a subir um degrau. Estão a perceber, não é?)

Todos aqueles cenários de beleza e de vida espampanante que a maioria das pessoas apresenta nas redes sociais é que trazem felicidade e uma pessoa esfalfa-se a trabalhar para conseguir tudo aquilo. Depois quando consegue, já passaram 20 anos e já é tarde. Surgem as doenças, a velhice e os arrependimentos. 

Pronto, em 2014 foi lançado um estudo de acompanhamento de 2000 pessoas obesas e dividiram-nas em três grupos: perda de peso, aumento de peso e o mesmo peso. Ora então, o que aconteceu foi que a percentagem de pessoas com humor depressivo aumentou em todos os casos. Mais ainda nos indivíduos que perderam peso durante o processo:

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Noutro estudo sobre cirurgia estética, chegou-se à conclusão de que as pessoas que querem de alguma forma mudar o seu corpo, têm mais tendência para suicídio, abuso do álcool ou outro tipo de problemas de conduta. Estes factores pioram depois da cirurgia:

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Portanto, até aqui sabemos que nada do que foi dito até agora aumenta significativamente a nossa felicidade. Até eu começo a ficar curiosa com isto. 

Não percam os próximos episódios, porque nós também não!

 

Ser minimalista no século XXI.

Rita (porque minimalistas há muitas), 27.08.19

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Sim, porque se pensarmos no tempo dos nossos avós, toda a gente o era. Pelo menos em Portugal. Não pelos motivos mais felizes.

Muitas vezes me conta histórias o meu avô, do tempo em que ia descalço para a escola. Do tempo em que o seu pequeno almoço era uma fatia de pão atrasado com aguardente queimada. Ou quando comia o rabo de uma sardinha, por ser o mais novo de 3 irmãos. Mais tarde, foi dado como morto na Guiné e não se conseguia casar com a minha avó quando veio para cá. 

Coisas impensáveis nos dias que correm. Não, hoje os problemas da sociedade são outros. 

Hoje queremos o smartphone que sai no mês que vem. Queremos o que os outros têm, que por sua vez obtiveram porque alguém lhes mostrou que tinha. Queremos ser mais felizes que o vizinho - que todos os dias nos apresenta um sorriso e se nota que é feliz, como se tal felicidade fosse causada pelo carro topo de gama que tem na garagem, ou mesmo pela casa de férias nas Bahamas.

Não, minha gente. O vizinho provavelmente acabou de ensinar o neto a andar de bicicleta. O vizinho descobriu que a filha está grávida pela segunda vez e está a imaginar-se a pegar na pessoinha quando vier cá para fora. Ou então a senhora sua esposa saiu do hospital já fora de perigo, depois de uma longa temporada de exames médicos. 

Estamos sempre descontentes com as nossas circunstâncias. Só para terem uma ideia, há gente que faz créditos de 25 anos com prestações mensais de 300€ para comprar um BMW - não estou a brincar. 

Estamos descontentes com a "miséria" do nosso salário. Não chega nem de perto para as tecnologiquisses ou para a viagem dos nossos sonhos. Não chega para comprar a roupa que queremos. Ora, não chega para nada. 

No entanto, o dinheiro estica e vamos sobrevivendo de uns meses para os outros. Que remédio, pois bem. Temos um teto que nos abriga da noite. Temos comida na mesa. Temos cuecas e meias lavadas para vestir todos os dias. Ou pelo menos, eu dou graças por ter tudo isto. 

Vamos lá ver, eu não sou praticante. Não sou religiosa. Sou uma mulher da ciência e acredito que as circunstâncias são criadas por nós ou são simplesmente coincidências. O mundo é pequeno, as coisas acontecem. No entanto, acredito que tudo o que nos acontece se reflete mais tarde e naquilo que é o nosso destino. 

Dou graças aos meus pais por me terem dado uma educação de valor, por me terem pago um curso superior e por me terem apoiado incansavelmente quando quis mudar a meio do primeiro ano. Dou graças ao centro de emprego que me encontrou o primeiro estágio e me permitiu que não parasse de trabalhar desde então. 

Dou graças à proposta de doutoramento que me permitiu passar por uma mudança radical e por me ter apresentado o minimalismo. Por me ter deixado pensar por mim mesma, que afinal vai contra a maré. Por me ter deixado expandir os meus horizontes e por me ter permitido estudar a filosofia.

Ser minimalista no século XXI é saber dizer que não. É saber votar tanto no governo como nas lojas onde fazemos as nossas compras.

É saber que mais é menos. É saber distinguir entre o que precisamos e o que queremos só para nos encher o ego. É preferir passar uma noite em casa a jogar jogos de tabuleiro com amigos e passar uma tarde a ler um bom livro em casa.

O minimalismo não é ter menos de 100 coisas ou dormir no chão. Não é andar de sofá em sofá com uma mochila às costas nem usar o mesmo par de calças o ano inteiro. Não me canso de dizer isto. Há quem o faça. Cada um vive o minimalismo como quer e não há regras.

Eu não o faço. Tenho a minha casa, tenho mais de 100 coisas e não durmo no chão. Tenho serviço de TV e internet, tenho uma bimby, vou a restaurantes e gosto de passear. Não ando por aí a dizer que sou minimalista, só as pessoas que lêem este blog sabem que o sou. E felizmente não se metem comigo a respeito disso. 

O minimalismo faz parte de mim. Acordou-me. Dou graças ao mundo por me ter mostrado o conceito e por fazer de mim uma pessoa muito mais completa do que era há uns anos atrás. 

Bom, isto tudo para dizer que há quem o faça e quem consiga remar contra a maré do consumismo. Não é preciso andar sempre em cima do acontecimento para ser feliz. Aliás, é precisamente o contrário. 

Faça uma pausa. Tire 15 minutos do seu dia e olhe ao redor. Porque é que está nesse lugar?

. Talvez esteja numa esplanada a beber um café ao final da tarde. Não é bom, poder tomar esse café e estar um sol de meter inveja?

. Ou então está no emprego, sentado(a) à secretária em frente do computador. Eu prometo que não digo ao patrão. Mas, e que tal? Poder estar num sítio que lhe dá dinheiro em troca do seu serviço?

. Está em casa, sentado(a) no sofá? Com o marido ou a esposa ao lado e com o filho a brincar no chão da sala? Ora que glorioso. 

Agora pegue num bloco de notas e escreva os motivos da sua gratidão. 

Faça isto todos os dias até se habituar a ver o mundo com outros olhos. Até se gratificar por estar sentado(a) na sanita e poder estar o tempo que quiser. Em Auschwitz e Birkenau, isso não era possível.

E agora vem o momento da propaganda. Viva ao minimalismo. Viva à expressão de liberdade e à consciencialização do povo. Deixem-se de coisas e abracem o que têm. 

O melhor presente de Natal que vi (até) hoje

Rita (porque minimalistas há muitas), 22.11.18

 Olá malta! 

 

Confesso que ia fazer disto um "minimalismo da semana". Mas possa... é tão grande e tão maravilhoso que não cabe lá.

 

Alguém publicou isto no nosso grupo do facebook "Journey to Zero-Waste":

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"Olá a todos! Quero dar ao meu marido algo grande para o Natal para mostrar o quanto significa para mim, bem como algo que é zero desperdício, vi esta ideia e gostei muito! Mas preciso de toda a vossa ajuda! Se você pudesse publicar uma foto de uma nota que diz:

 
Michael,
O amor de Andy por você cresceu tanto que atingiu * a cidade onde você mora *
 
Pontos de bónus se você estiver fora dos EUA! Por favor, ajude-me a surpreender o meu marido com este presente sentimental zero de resíduos! Eu reciclei a minha nota usando-a na minha lareira - e subsequentemente destruindo as evidências."
 
Digam lá... Não é o melhor presente de todos os tempos? Caramba, sabem que eu não fico indiferente a estas coisas!
 

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[Aproveito para usar esta publicação no Desafio da Escrita - Dia 31 - Amor, que de certeza que não faço melhor do que isto ]