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Rumo ao Minimalismo

A minha viagem ao minimalismo, desperdício zero e vegetarianismo - Estou quase, quase lá!

Rumo ao Minimalismo

A minha viagem ao minimalismo, desperdício zero e vegetarianismo - Estou quase, quase lá!

A ciência por trás da felicidade #5 - absolutismo vs relativismo

Rita (porque minimalistas há muitas), 18.09.19

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Resumindo, já sabemos que um bom emprego, muito dinheiro, coisas incríveis, amor verdadeiro e o corpo perfeito não têm qualquer impacto ou não contribuem assim tanto para a nossa felicidade. Todas estas coisas que achamos que nos farão felizes, não o fazem. Isto é ponto assente. O nosso cérebro diz-nos que queremos certas coisas, mas está errado e inebriado. No entanto, a generosidade e as nossas conexões sociais mudam a figura, conforme vimos ontem. 

Mas vamos ao que nos interessa por hoje.

Existem então algumas características irritantes da nossa mente, como falámos há uns dias. Coisa irritante da nossa mente n.º 1: A intuição. As nossas maiores intuições estão muitas vezes erradas. Tanta vez que vejo gente espalhar-se em programas de perguntas por causa da maldita. 

Então e mais?

Coisa irritante da nossa mente n.º 2: Nós não pensamos em termos absolutos. Não pensamos na verdade verdadinha e absoluta das coisas, e ao invés disso, procuramos argumentos em termos relativos. Estamos sempre a julgar em relação a diferentes pontos de referência. 

O que é um ponto de referência? É uma situação padronizada (pouco relevante) com a qual comparamos situações. Vejam a imagem em baixo:

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Se acompanharam as minhas publicações anteriores, já sabem que os círculos laranja são do mesmo tamanho. De qualquer forma, os nossos olhos e a nossa intuição diz-nos que o do lado direito é maior. Ora, os pontos azuis, os nossos pontos de referência, fazem com que nós achemos o laranja do lado direito, maior, porque os azuis são muito mais pequenos relativamente ao do centro. E vice versa.

Neste caso, estamos a pensar em termos relativos e não absolutos. Na presença de pontos de referência, vemos as coisas de forma diferente e mexe com a nossa argumentação e forma de ver as coisas.

Outro exemplo, quando alguém fala da condição médica de um sénior, imaginemos um AVC. Alguém contradiz "Ah, mas o senhor Joaquim também teve, e está muito pior - até deixou de falar por um tempo", como se a primeira situação não tivesse tanta importância. Na realidade, a situação "mais irrelevante" é a do Sr Joaquim que na altura foi alvo de preocupação, mas já está diagnosticado, medicado e entretanto a fala voltou. Ora, é como se o ser humano estivesse programado para relativizar tudo e todos em determinadas situações. Confesso que é uma das coisas que mais me irrita neste mundo e não me sabia expressar. Agora já sei. 

Mas esta coisa da relatividade, mexe mesmo com a nossa felicidade? Porquê?

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Vamos então a uma história verídica. Vejamos na imagem em cima, uma das muitas medalhas de ouro que o Michael Phelps ganhou. A felicidade está lá, obviamente. E agora em baixo:

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O rapaz que ganhou a medalha de prata está feliz, mas não tanto como o Michael Phelps. Porquê? Porque usa a medalha de ouro como referência. Mas aqui a questão muda de figura quando vemos a imagem de baixo:

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O rapaz que ganha a medalha de bronze tem um ponto de referência, que é não ganhar medalha nenhuma. Para ele, o facto de ter ganho uma medalha é extasiante e nem pensa noutra coisa. Está estampado na sua cara. Se o seu ponto de referência fosse a medalha de ouro, estaríamos perante uma pessoa nitidamente menos feliz que os outros dois. 

E a verdade é que a imagem é só uma parte do estudo. Durante os jogos olímpicos, colocaram câmaras em todo o lado. No momento em que os participantes sabiam da sua pontuação e no momento em que ganhavam as medalhas. Os que ganharam medalhas de bronze apresentavam um grau de felicidade razoavelmente maior do que os que ganhavam medalhas de prata. Impressionante, não é? Não é o valor da medalha que ganhámos, é o valor da que podíamos ter ganho, que importa. 

Em Portugal temos muito aquela coisa do "Vá, pergunta. O "não" é sempre certo". E se o "não" fosse o nosso ponto de referência? "Não, não te dou um gelado". "Não, não vais ter um aumento nos próximos anos". "Não, não passaste no exame". Interessante como o povo se conforma com grande parte das medidas de austeridade, mas depois em coisas simples baixa o seu nível de felicidade. 

E agora que sabemos isto tudo, um bom emprego, muito dinheiro, coisas incríveis, amor verdadeiro e o corpo perfeito só não causam impacto na nossa felicidade porque vemos estas coisas como pontos de referência e não pelo valor que elas valem. Olhamos sempre para coisas que a nosso ver, são melhores do que o que já temos. Daí a infelicidade das pessoas que recebem aumentos e que perdem peso. Há sempre alguém com mais e melhor. 

Num estudo de 1999, os autores disseram que por cada dólar que sobe o nosso salário, acabamos por querer mais 1,40 no futuro. É um poço sem fundo.

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Mas o pior ainda está por dizer. Acontece que a pior forma de relativismo é quando o fazemos em relação a outras pessoas, a chamada comparação social. Em 1996, estudaram a satisfação de emprego em 5000 trabalhadores ingleses, e o que descobriram foi que a mesma diminuía à medida que a comparação aumentava. Se os nossos colegas de trabalho ganham mais, a nossa probabilidade de estar menos feliz com o nosso trabalho é maior. 

Em 1998, perguntaram a estudantes de Harvard "Qual é o salário que tu preferes?" 

Opção 1: Ganhar 50 000, enquanto os outros ganham 25 000;

Opção 2: Ganhar 100 000, enquanto os outros ganham 250 000.

O leitor pensaria que o pessoal fosse escolher a opção 2, afinal é o dobro do salário da opção 1. Mas desenganem-se. 56% das pessoas preferiram a opção 1. 

As pessoas preferem receber metade do salário por saberem que vão ganhar mais do que os outros. 

E se vos dissesse que estando desempregadas num local onde há normalmente pessoas desempregadas, não nos parece ser assim tão mau? Estamos tão envolvidos em comparações sociais, que mesmo em situações extremas de desemprego nos deixamos afectar pelas pessoas à nossa volta. 

E se vos dissesse que quanto mais horas passamos em frente à TV, mais nos comparamos relativamente a pessoas com maior salário? Programas como Keeping Up with the Kardashians , The Real Housewives of Beverly Hills, ou na nossa portuguesa que passam o dia a dizer 760! podem estar na origem disto. E mais! Noutro estudo, por cada hora que as pessoas gastam a ver TV, gastam mais 4$/semana em despesas de casa. 

Eu revejo esta situação na faculdade, quando os alunos recebem as pautas das notas. Sabendo tudo isto que acabei de aprender, agora consigo identificar e separar as pessoas felizes com as suas próprias vidas e as que não são assim tanto. As pessoas realizadas e de sorriso na cara, e as que não são. Mesmo depois de saírem da faculdade e pensando um pouco na sua forma de estar e de ver a vida atualmente, são as que menos se importavam com as notas apesar de terem acabado o curso como todos os outros. E mesmo não tendo convivido com algumas pessoas no tempo de faculdade, nota-se logo quem não está nem aí para o que os outros pensam, fazem ou ganham. As pessoas são genuinamente mais felizes. 

É impressionante, como esta nossa máquina funciona. 

Outros estudos foram feitos com base na comparação. Por exemplo, mulheres que vêem fotografias de modelos em revistas (apesar de serem todos photoshopadas), ou homens que comparam a sua felicidade com a sua esposa antes e depois de olharem para estas mesmas fotos, ou então adolescentes que usam as redes sociais. Todas diminuem o nível de felicidade. Todos os estudos apresentam a mesma tendência. É terrível. 

A ciência por trás da felicidade #4 - bondade e conexão social

Rita (porque minimalistas há muitas), 13.09.19

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Hoje, a coisa muda de figura. Ó se muda, até eu fiquei admirada. No início de cada semana de curso (estou na terceira), há uma peça de leitura que intercede os vídeos, e neste post vou falar um pouco sobre o que li.

Passemos então à matéria. 

Estudos dizem que as pessoas felizes tendem a espalhar o bem. "Ai, mas que lamechice agora. Espalhar o bem, isso é coisa para miúdos na catequese". Desculpem-me, mas tem de ser. Aguentem corações. 

Tenho um desafio para vocês que me foi passado pela Professora Laurie. Nos próximos sete dias irão fazer actividades extra. Actividades boas, que ajudem alguém. Não precisam de ser exageradas, tipo doar todos os vossos bens essenciais a uma instituição. 

Podem, por exemplo, ajudar um colega de trabalho a apanhar um papel do chão ou com uma tarefa mais demorada. Ou então, dar uns euros ou algum tempo a uma causa em que acreditem. Digam algo positivo a um estranho, como por exemplo um "bom dia, vizinho. O tempo hoje está bom, não está?" ou escrevam uma nota de agradecimento, dêem sangue e sejam voluntários numa instituição para protecção de animais. Um beijinho à mãe ou um jantar à família. Qualquer coisa boa serve. 

No final do dia descrevam a vossa actividade bondosa num caderno. O mesmo, onde escreveram as 100 frases de ontem. Percebam como isso afectou a positividade do vosso dia e como tudo parece muito mais leve.

Da mesma forma que a generosidade faz as pessoas mais felizes, as nossas conexões sociais também. Estudos mostram que as pessoas felizes passam mais tempo com outras pessoas e têm um conjunto mais rico de amigos do que pessoas infelizes. Não estou a brincar, isto está escrito nas páginas do curso

Mais estudos mostram que o simples facto de conversar com alguém na rua, pode melhorar mais o nosso humor do que aquilo que achamos. É uma sensação que pode durar o dia todo. 

E aí vem mais um desafio: nos próximos sete dias, o leitor vai tentar fazer uma nova conexão social por dia. Desencadeie uma conversa no autocarro ou com o barman da esquina. Um colega de trabalho ou um telefonema com um amigo que mora longe. 

Mas com este desafio também se pretende ir mais além. Procure conexões mais profundas também. Reserve por exemplo, uma hora do seu dia para estar com alguém de quem gosta muito, um amigo ou um membro de família com quem não fala há muito tempo. Depois do trabalho, por exemplo, marque uma cerveja ou um café com alguém. 

No final do dia escreva no caderno o que se passou e como se sente. É um caderno privado, ninguém vai ler o que se está a passar consigo nem ninguém se importa se anda a tramar alguma ou não. Deixe-os falar. 

 

A ciência por trás da felicidade #3 - E afinal?

Rita (porque minimalistas há muitas), 11.09.19

Ora, vejamos. Se ter um bom emprego, muito dinheiro, coisas incríveis, amor verdadeiro e o corpo perfeito não impactam verdadeiramente a nossa felicidade, o que é que fazemos? Afinal, o que é que temos de fazer para sermos felizes?

Uma coisa é certa. Todos os estudos que apresentei não foram feitos com as mesmas pessoas, e se um indivíduo tem muito dinheiro mas não tem um corpo perfeito, pode ser que seja infeliz por isso. Se algum dos leitores conhecer alguém que tenha um bom emprego, muito dinheiro, coisas incríveis, amor verdadeiro e o corpo perfeito, avise-me, porque precisamos de ter uma conversa.

Será que o CR é feliz? Dinheiro lá ele tem. Amor também não lhe falta. Coisas incríveis e o corpo perfeito ele conseguiu, e aqueles dentes não devem ter sido fáceis...  Não, não deve ser. Se fosse feliz já tinha parado de bater todos os recordes no futebol, digo eu. Sim, é isso. Faltam-lhe recordes, com certeza. Ou acha que ainda não tem o dinheiro suficiente... Isso. Recordes e dinheiro são o problema. 

Eu acho que é tudo muito relativo. E sinceramente, não acredito que mesmo tendo tudo isto, a pessoa saiba o que é a verdadeira felicidade. Faz parte do ser humano. Sabem aquela anedota das nhanhas? Um certo dia estava um homem cá fora no alpendre com a mão no ar como se estivesse a apanhar qualquer coisa. A mulher pergunta-lhe: "Ouve lá, o que é que estás a fazer?" O homem responde: "Não sei, mas já lá vem outra". Isto praticamente sumariza esta nossa busca incessante pela felicidade, prazer, adrenalina, ou o que quer que seja.

Vá, isto sou eu a pensar convosco e a tirar as minhas próprias conclusões. De qualquer forma, mais para a frente teremos as respostas às nossas dúvidas. Pelo menos, foi para isso que me inscrevi. 

Ora, como não podia deixar de ser, foi feito um estudo sobre isso. Porque raio não somos felizes? Por um lado, pessoas disseram que a felicidade é genética e não pode ser alterada por qualquer outro factor como o dinheiro ou o amor. Por outro, pessoas dizem que sim, é tudo muito bonito, mas na verdade a vida não presta. Prega-nos partidas e há sempre qualquer coisa a acontecer. 

Ambas as respostas estão ERRADAS, e há evidências científicas que corroboram. Estudaram até irmãos gémeos. Na verdade, os genes e as circunstâncias infelizes não são os únicos que participam na equação:

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Pronto, a genética define metade da nossa felicidade. É certo que a epigenética existe, já falámos aqui sobre isso. Por exemplo, pessoas de raça negra sofrem mais por tudo o que passaram nas gerações anteriores, e chegam até a definir comportamentos modernos com base nisso. Então, metade da nossa felicidade dá-se com base no que os nossos antepassados passaram, o que não é muito bom para os portugueses.

Mas mesmo assim, há uma certa relatividade. O meu avô passou algum tempo na guerra. Amigos morreram ao lado dele, sofreu emboscadas, e conta muitas histórias sobre isso. No entanto, é a pessoa mais feliz que conheço à face da terra. Já o outro avô, que não foi à guerra e teve melhores condições financeiras durante toda a sua vida, não é tão positivo como o primeiro. Talvez seja mais uma vez a genética a pregar das suas. 

Mas o que mais me surpreendeu no gráfico foram os 10% da "vida acontece". Ora, coisas como ganhar a lotaria e ter um bebé ou ficar paraplégico e viúvo, afinal não contam assim tanto para a nossa felicidade. O ser humano adapta-se muito facilmente, e estas coisas deixam de ter importância na nossa felicidade. Não é engraçado? 

O que é que sobra? Tudo o que está sob o nosso controlo. As nossas acções e pensamentos contribuem com 40% para a nossa felicidade. Coisas que podemos controlar! Não é o máximo?

Actividades intencionais têm um efeito muito poderoso na nossa felicidade, mais do que quaisquer circunstâncias que ocorram. São coisas que podemos trabalhar, queridos leitores.

Escusamos de tentar ganhar mais dinheiro e comprar coisas incríveis. A verdade exige muito menos de nós do que todas estas coisas que habitualmente queremos alcançar no futuro. 

Mas então um de vós no meio do grupo responde: "Ok, essas coisas científicas podem ser verdade para o resto das pessoas, mas EU serei realmente feliz com o emprego/salário/corpo perfeitos". A Laurie também tem uma resposta para isso. 

Coisa irritante da nossa mente n.º 1: quando pensamos que a nossa mente nos entrega uma intuição, como por exemplo: "eh pá, vou sentir-me mesmo triste se tiver má nota no exame", então essa intuição passa a ser normativamente correta. Mas a verdade é que a nossa mente está sempre a apresentar-nos intuições sobre o que está errado e correto, tantas até que às vezes ficamos na dúvida. No exemplo da imagem com as duas linhas, a nossa intuição torna-se por vezes mais poderosa do que a instância verdadeira. 

Mais um exemplo:

"Se uma bola de baseball e um taco custam 1,10€ juntos, mas o taco custa 1€ a mais do que a bola, quando custa a bola?"

A primeira coisa em que se pensa, intuitivamente, é que a bola custa 10 cêntimos, o que está errado. A bola custa 5 cêntimos, e o taco custa mais 1€ do que a bola, logo o preço da bola tem de estar incluído no preço do taco. Se a bola custasse 10 cêntimos, sobrariam apenas 1€, e não 1€ a mais do que a bola. Portanto, a bola custa 5 cêntimos, e o taco custa 1,05€. 

E a maior parte das intuições que temos sobre a nossa felicidade, também estão erradas.

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Por exemplo, de vez em quando bate o bichinho de jogar os Sims. É o jogo mais vendido a nível mundial, malta. Como é que uma miúda de 89 escapa a isto? E, quando bate, a Rita passa cerca de duas horas a instalar o jogo, porque sabem como é, todas aquelas expansões e objetos levam o seu tempo a instalar. E claro que instalo cada vez que jogo porque, para já, ocupa perto de 80 GB no pc e depois porque a vontade de jogar vem uma vez por ano, e então de alguma forma acabo sempre por desinstalar e voltar a instalar mais cedo ou mais tarde.

Isto tudo para vos dizer que enquanto instalo o jogo, a minha intuição é a de que "Uau! Há tanto tempo que não jogo, vai ser espectacular. É desta que não uso códigos e jogo normalmente. É desta que passo mesmo a jogar regularmente". Bate uma felicidade falsinha, daquelas... E a verdade é que nunca acontece. Nunca! Farto-me passado quase tanto tempo como o que passo a instalar. Enfim.

A maior parte dos objetivos que achamos que nos vão fazer felizes, não o fazem. 

Vá, agora escrevam esta frase 100 vezes num caderno até interiorizarem. 

 

A ciência por trás da felicidade #2 - as coisas materiais, o amor e o corpo perfeito.

Rita (porque minimalistas há muitas), 06.09.19

Na publicação anterior falámos dos erros e mitos mais comuns acerca do nosso "emprego ideal" ou do facto de querermos ter sempre mais dinheiro - e que isso de alguma forma nos traz felicidade. BALELAS. Sim, o dinheiro traz alguma felicidade, mas só até ao ponto de termos todas as nossas necessidades básicas atendidas. E não, não estou a falar do smartphone que sai para a semana nem do novo concept que a BMW lançou para exposição. Pronto, pronto, até aqui já sabemos. Já dizia o Jim Carrey que só queria que toda a gente fosse milionária para perceber que não é esse o caminho.

Mas e o amor? Aquele verdadeiro. O que nos faz ir a uma demonstração da bimby, montar uma horta e ficar endividados com o banco para o resto da vida? Pois é... Também não é o que parece. Ele de facto, existe, mas não tem grande impacto na felicidade. Não depois de um anito ou dois. 

Ora vejamos.

Quanto às "coisas", a Professora Laurie faz um enquadramento muito engraçado do número de vezes que uma marca de carros ou um tipo de bebida aparece em músicas. Aqueles que são os nossos objectivos materiais, as coisas que supostamente nos trarão felicidade quando as comprarmos. 

A verdade é que um estudo feito entre 1976 e 2003, revela que as pessoas que tinham uma tendência materialista no início, acabaram por ser as que tinham menos satisfação de vida em 2003. E mais, por passarem 20 anos à procura destas coisas, acabaram por apresentar mais problemas mentais do que as pessoas que não tinham aspirações materiais. 

Quanto ao amor e ao estudo que decorreu durante 15 anos - as pessoas que se casaram, são ou não são mais felizes? Sim! A sua felicidade aumentou, que alegria! Durante um ano ou dois. Depois disso, a felicidade é a mesma do que as pessoas que não estão casadas. Chama-se o "efeito da lua de mel". Isto, obviamente, para os chamados "casamentos felizes". Os infelizes têm problemas bem maiores do que a diminuição da felicidade, I guess. Portanto, não é por acaso que se fala das crises dos 2, 5 ou 7 anos de relação. 

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E ter um corpo perfeito, ajuda nesta coisa da felicidade? A cara perfeita sem borbulhas e com sobrancelhas depiladas por um ninja asiático?

Óbvio que não, aliás, todas as redes sociais dizem que sim senhor. Ter 40 quilos e um bronze que dura o ano inteiro é que importa. (Newsflash: isso importa para algumas pessoas, não todas. De facto, gostam de falar deste tipo de magreza como se a pessoa fosse um pedaço de carne. Mas quando é para casar... Ai, aí já estamos a falar de outro tipo de corpo. Um que carregue um bebé durante 9 meses e que não se desmanche a subir um degrau. Estão a perceber, não é?)

Todos aqueles cenários de beleza e de vida espampanante que a maioria das pessoas apresenta nas redes sociais é que trazem felicidade e uma pessoa esfalfa-se a trabalhar para conseguir tudo aquilo. Depois quando consegue, já passaram 20 anos e já é tarde. Surgem as doenças, a velhice e os arrependimentos. 

Pronto, em 2014 foi lançado um estudo de acompanhamento de 2000 pessoas obesas e dividiram-nas em três grupos: perda de peso, aumento de peso e o mesmo peso. Ora então, o que aconteceu foi que a percentagem de pessoas com humor depressivo aumentou em todos os casos. Mais ainda nos indivíduos que perderam peso durante o processo:

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Noutro estudo sobre cirurgia estética, chegou-se à conclusão de que as pessoas que querem de alguma forma mudar o seu corpo, têm mais tendência para suicídio, abuso do álcool ou outro tipo de problemas de conduta. Estes factores pioram depois da cirurgia:

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Portanto, até aqui sabemos que nada do que foi dito até agora aumenta significativamente a nossa felicidade. Até eu começo a ficar curiosa com isto. 

Não percam os próximos episódios, porque nós também não!

 

A ciência por trás da felicidade #1 - emprego e dinheiro

Rita (porque minimalistas há muitas), 04.09.19

Olá malta!

Hoje venho falar-vos de um curso online que estou a fazer na Universidade de Yale, "A Ciência do Bem-Estar".

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"A Ciência do Bem-Estar" tem uma estrutura curricular muito interessante e qualquer pessoa pode fazer o curso de forma gratuita, se não quiser pagar o certificado de participação.

Para quem não conhece, a plataforma Coursera é uma óptima referência para quem quer expandir os seus horizontes, e para quem quer ter acesso a milhares de cursos leccionados pelas melhores universidades do mundo. A melhor parte: é tudo gratuito! Existe a opção de obter o certificado oficial para quem quiser enriquecer o currículo, que no fim de contas nem é assim tão caro.

Ora, "A Ciência do Bem-Estar" é lecionado por Laurie Santos, Professora de Psicologia e Diretora da Faculdade Silliman em Yale, e mostra os estudos científicos mais impressionantes que vocês possam imaginar sobre a felicidade e o que afinal nos move e nos faz feliz. Ao longo destes posts vou comentar convosco os principais resultados e conclusões. Ao fim e ao cabo, acabam por tirar o curso comigo. 

Um resumo do que se aprende e dos principais resultados da ciência:

Atenção que isto está cientificamente provado em diversos estudos feitos ao longo das últimas décadas. Não são balelas. Para quem estiver interessado em descobrir mais, aconselho muito fazerem o curso. Os vídeos são curtos e interessantes, e todas as referências e estudos de que falo aqui, estão no conteúdo do curso.

A falácia de G.I. Joe.ideia errada de que "saber" é metade do caminho andado. Não é metade do caminho nem é o suficiente para mudar comportamentos. Um exemplo muito simples: vejam a imagem de baixo. É uma ilusão de óptica, sabemos que no fundo as linhas têm o mesmo comprimento, mas não é possível ensinar os nossos olhos a ver as linhas tal como são. Continuam a parecer-nos diferentes. Certo? Então, "saber" não é suficiente para mudar o nosso comportamento. 

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Um bom emprego. Perguntaram a recém graduados qual seria a descida na sua felicidade, caso não conseguissem passar numa entrevista de emprego. A maioria respondeu que depois da notícia, a felicidade cairia cerca de 2.10 pontos em 10, quando na realidade, depois de acontecer, desceu apenas 0.68 pontos. Ok, e se a decisão de contratar fosse muito injusta para eles, como se a empresa estivesse a perder o melhor candidato? A média previa uma descida de 1.9 mas a descida real foi de 0.0 pontos. Na cabeça deles, lá arranjaram uma desculpa qualquer, e não aqueceu nem arrefeceu.

Outro inquérito revelou que o que as pessoas querem num emprego é um bom salário. Mas então, o que é um bom salário? Que número é suficiente para nos fazer feliz? E o que é ganhamos agora? 5 000€ por ano? 10 000€? 100 000? A verdade é que depende do que ganhamos. E em todos estes patamares as pessoas queriam sempre mais. Nunca é suficiente. Nos EUA, as pessoas gastaram 70 150 000 000$ em raspadinhas no ano de 2015. Isto é mais do que livros, música, bilhetes de cinema, de desporto e videojogos juntos. 

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Um outro estudo que fizeram em mais de 300 universidades mostra como os "ideais" de vida mudaram nas últimas décadas. A figura de cima mostra os principais resultados de um inquérito nacional (mais uma vez nos EUA) feito todos os anos entre 1967 e 2005. E então o que é que para "nós" é mesmo muito importante na vida - estar bem financeiramente ou desenvolver uma filosofia de vida significativa? Os papéis invertem-se, e hoje, claramente, o dinheiro é mais importante. 

Muitos estudos foram ainda feitos sobre a correlação entre o salário e a satisfação de vida. Para terem uma noção, uma correlação de 1 significa que a satisfação de vida aumenta conforme o salário que temos e vice versa, sem qualquer outro tipo de interferência e factor. Na realidade, a correlação entre uma coisa e outra é de 0,10, a média entre diversos países analisados. Nenhum deles apresentou uma correlação maior do que 0,24. Houve até valores negativos, como no Brasil e na Finlândia.

O estudo não foi feito em Portugal, mas a correlação é provavelmente muito alta, derivada principalmente à percentagem da população a salário mínimo e das nossas crises constantes e falta de condições laborais. A vida nos EUA e no norte da Europa é muito melhor do que a nossa, não há dúvidas disso. No entanto o Brasil também tem muita pobreza e o povo é feliz de qualquer jeito. Afinal é de onde vem o samba, não é? E nós cá temos o nosso Fado. 

A verdade é que o mesmo estudo foi feito comparando as nações ricas às pobres, e enquanto a felicidade em povos ricos se manteve constante, a felicidade nos povos mais pobres aumentou muito, conforme vêem na imagem em baixo. O acesso aos serviços a que muitos estamos habituados, nomeadamente água canalizada, saneamento ou rede elétrica, fazem diferença na escala da felicidade para quem não os tem. E portanto, a partir do momento em que temos dinheiro para as nossas necessidades básicas, o dinheiro não nos traz muito mais felicidade (ao contrário do que o marketing diz).

Outros estudos revelam ainda que a partir do momento em que temos dinheiro para as nossas necessidades básicas: não existe diminuição de stress, não existe alteração em sensações e emoções positivas (rir, felicidade, divertimento diário) nem diminuem as preocupações ou tristezas.

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A verdade é que com o acesso a toda a tecnologia que temos hoje em dia, todas estas "chupetas" que nos entretêm, a felicidade não aumentou. Pelo contrário:

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Comparando com a geração da década de 40, os novos adultos de hoje em dia crescem com muito mais dinheiro, menor felicidade e maior risco para a depressão e patologias sociais. Isto vai contra às melhorias de vida e condições para o bem-estar que têm surgido nas últimas décadas. Não faz sentido nenhum. 

Eu gostava muito de colocar aqui todos os estudos e resultados do resto do curso, mas o texto já vai longo. Ao longo dos próximos dias irei fazer algumas publicações a respeito deste assunto. 

 Até breve! 

Más notícias da semana #1

Rita (porque minimalistas há muitas), 22.08.19

Olá!

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A ideia de lançar a nova rúbrica de "Boas notícias da semana" até nem foi má... Pior foi descobrir que no meio de tanta coisa boa, as más notícias prevalecem, infelizmente. 

Esta semana em:

Animais:

- Milhões de abelhas estão a morrer no Brasil e isso é um aviso

Bacalhau do Mar do Norte está em risco e pode deixar de chegar às mesas

- Indonésia. Excesso de turistas coloca em risco dragão de Komodo

- O dugongo mais famoso da Tailândia morreu por comer plástico

- Rola-brava já quase não se vê, mas caça abre neste domingo

- Sabugal: video mostra touro a ser morto na arena

- Portugal. Abandonados por ano dez mil animais

- Estados Unidos vão deixar mais desprotegidos animais ameaçados

- Aves Marinhas Que Comem Plástico – e Sobrevivem – Têm Graves Problemas de Saúde

- Matança de abelhas no Brasil alerta para risco dos agrotóxicos

 

Ambiente:

- Aplicação tem mais de 23 mil registos de lixo marinho em seis meses

- Presidente brasileiro quer liberalizar mineração em terras indígenas no Brasil

- Poluição pode ser tão grave para pulmões como um maço de tabaco por dia, diz estudo

Praia de Faro interdita a banhos por elevada concentração da bactéria E.Coli

- Amazónia é o ecossistema mais afetado pelos incêndios no Brasil

- Venda da madeira do Pinhal de Leiria já rendeu 13,6 milhões de euros

- Encontradas partículas de microplásticos pela primeira vez no Ártico

- Isabel Tavares: "Temos menos água que barriga, temos que a poupar"

- "Em 30 anos, grandes áreas do Alentejo já não terão condições para vinho"

- Islândia. Monumento em memória do primeiro glaciar morto

- Chove plástico nos Estados Unidos. Pesquisador deteta microplásticos na precipitação

- Está a chover plástico nas Montanhas Rochosas

- Os microplásticos caem com a neve e a chuva. E estão por todo o lado

- Nevam micoplásticos no Artico e há praias com algas e pedras que plástico

- A Amazónia está a arder — e já se vê do espaço

- Se o mundo aquecer dois graus, os Verões serão mais extremos

- Cidade de Hasankeyf ficará submersa e com ela dez mil anos de história

- Portugal não tem limites para a poluição luminosa

- Usamos quatro vezes mais luz “por candeeiro” do que a Alemanha

- "A mãe natureza está a pedir socorro"

- Amazónia e Sibéria: pulmões do mundo em risco

- Más notícias para o clima: julho foi o mês mais quente já registrado na Terra

- O crescimento de plantas tem diminuído drasticamente no mundo por causa do ar seco

- Onda de calor está transformando o gelo da Groenlândia em lama. E isso é uma péssima notícia

- A banana está cada vez mais perto de desaparecer

Imazon: desmatamento na Amazônia aumentou 15% em 12 meses

- Degelo dos Glaciares do Alasca é 100 Vezes Mais Acentuado do que se Pensava

- A Fenda que Divide Uma Plataforma de Gelo em Dois na Antártida

- Novo Tipo de Lixo Marinho Invade a Madeira

- Estudo vê possível elo entre poluição ambiental e depressão e esquizofrenia

- Cientistas encontraram uma nova forma de plástico que se parece com pedras

- Febre do lítio pede licença para chegar a Portugal

- O Pólo Norte está a ser atingido por relâmpagos (e isso não é normal)

- Há uma cidade na Venezuela que é “invisível” - de calcário e xisto (produção de cimento)

- Explosão nuclear dispara radiação. Rússia mantém silêncio e evacua aldeia

- Há um mar de partículas de plástico entre as ilhas de Maiorca e Menorca

- Fukushima está prestes a ficar sem espaço para armazenar a sua água radioativa

- Câmara de Leiria acusada de ocultar poluição das suiniculturas na Ribeira dos Milagres

- Poluição do ar aumenta risco de depressão, diz pesquisa

- Poluição da água pode reduzir crescimento econômico em um terço, diz Banco Mundial

 

Turismo, Transportes e Entretenimento:

- Carros elétricos precisam de mais cobre que os convencionais

- Balanço global. Trotinetas elétricas alugadas poluem mais que veículos normais

Vandalismo — e não só — estraga o “selo verde” das trotinetas eléctricas

 

Outras:

- Blythe Pepino: “Não ter filhos é uma declaração política, uma questão de vida ou morte” - Para conter um “iminente desastre ecológico

 

Nota: Esta rúbrica contém notícias de cariz ambiental e social positivas que são publicadas em diversas páginas online, não sendo verificada a veracidade das mesmas. O conteúdo apresentado é da responsabilidade dos respetivos autores. 

2030: Objetivos para transformar o nosso mundo

Rita (porque minimalistas há muitas), 04.07.19

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Olá malta! Nos próximos dias 8 a 10 de julho ocorre o Encontro com a Ciência e Tecnologia em Portugal no Centro de Congressos de Lisboa, onde vão ser discutidos os 17 objetivos de Desenvolvimento Sustentável para o ano de 2030 (link na imagem de cima). A inscrição é gratuita e podem ver o programa global aqui

Quem me dera poder ir... 

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