Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Rumo ao Minimalismo

A minha viagem ao minimalismo, desperdício zero e vegetarianismo - Estou quase, quase lá!

Rumo ao Minimalismo

A minha viagem ao minimalismo, desperdício zero e vegetarianismo - Estou quase, quase lá!

A ciência por trás da felicidade #3 - E afinal?

Rita (porque minimalistas há muitas), 11.09.19

Ora, vejamos. Se ter um bom emprego, muito dinheiro, coisas incríveis, amor verdadeiro e o corpo perfeito não impactam verdadeiramente a nossa felicidade, o que é que fazemos? Afinal, o que é que temos de fazer para sermos felizes?

Uma coisa é certa. Todos os estudos que apresentei não foram feitos com as mesmas pessoas, e se um indivíduo tem muito dinheiro mas não tem um corpo perfeito, pode ser que seja infeliz por isso. Se algum dos leitores conhecer alguém que tenha um bom emprego, muito dinheiro, coisas incríveis, amor verdadeiro e o corpo perfeito, avise-me, porque precisamos de ter uma conversa.

Será que o CR é feliz? Dinheiro lá ele tem. Amor também não lhe falta. Coisas incríveis e o corpo perfeito ele conseguiu, e aqueles dentes não devem ter sido fáceis...  Não, não deve ser. Se fosse feliz já tinha parado de bater todos os recordes no futebol, digo eu. Sim, é isso. Faltam-lhe recordes, com certeza. Ou acha que ainda não tem o dinheiro suficiente... Isso. Recordes e dinheiro são o problema. 

Eu acho que é tudo muito relativo. E sinceramente, não acredito que mesmo tendo tudo isto, a pessoa saiba o que é a verdadeira felicidade. Faz parte do ser humano. Sabem aquela anedota das nhanhas? Um certo dia estava um homem cá fora no alpendre com a mão no ar como se estivesse a apanhar qualquer coisa. A mulher pergunta-lhe: "Ouve lá, o que é que estás a fazer?" O homem responde: "Não sei, mas já lá vem outra". Isto praticamente sumariza esta nossa busca incessante pela felicidade, prazer, adrenalina, ou o que quer que seja.

Vá, isto sou eu a pensar convosco e a tirar as minhas próprias conclusões. De qualquer forma, mais para a frente teremos as respostas às nossas dúvidas. Pelo menos, foi para isso que me inscrevi. 

Ora, como não podia deixar de ser, foi feito um estudo sobre isso. Porque raio não somos felizes? Por um lado, pessoas disseram que a felicidade é genética e não pode ser alterada por qualquer outro factor como o dinheiro ou o amor. Por outro, pessoas dizem que sim, é tudo muito bonito, mas na verdade a vida não presta. Prega-nos partidas e há sempre qualquer coisa a acontecer. 

Ambas as respostas estão ERRADAS, e há evidências científicas que corroboram. Estudaram até irmãos gémeos. Na verdade, os genes e as circunstâncias infelizes não são os únicos que participam na equação:

8.JPG

Pronto, a genética define metade da nossa felicidade. É certo que a epigenética existe, já falámos aqui sobre isso. Por exemplo, pessoas de raça negra sofrem mais por tudo o que passaram nas gerações anteriores, e chegam até a definir comportamentos modernos com base nisso. Então, metade da nossa felicidade dá-se com base no que os nossos antepassados passaram, o que não é muito bom para os portugueses.

Mas mesmo assim, há uma certa relatividade. O meu avô passou algum tempo na guerra. Amigos morreram ao lado dele, sofreu emboscadas, e conta muitas histórias sobre isso. No entanto, é a pessoa mais feliz que conheço à face da terra. Já o outro avô, que não foi à guerra e teve melhores condições financeiras durante toda a sua vida, não é tão positivo como o primeiro. Talvez seja mais uma vez a genética a pregar das suas. 

Mas o que mais me surpreendeu no gráfico foram os 10% da "vida acontece". Ora, coisas como ganhar a lotaria e ter um bebé ou ficar paraplégico e viúvo, afinal não contam assim tanto para a nossa felicidade. O ser humano adapta-se muito facilmente, e estas coisas deixam de ter importância na nossa felicidade. Não é engraçado? 

O que é que sobra? Tudo o que está sob o nosso controlo. As nossas acções e pensamentos contribuem com 40% para a nossa felicidade. Coisas que podemos controlar! Não é o máximo?

Actividades intencionais têm um efeito muito poderoso na nossa felicidade, mais do que quaisquer circunstâncias que ocorram. São coisas que podemos trabalhar, queridos leitores.

Escusamos de tentar ganhar mais dinheiro e comprar coisas incríveis. A verdade exige muito menos de nós do que todas estas coisas que habitualmente queremos alcançar no futuro. 

Mas então um de vós no meio do grupo responde: "Ok, essas coisas científicas podem ser verdade para o resto das pessoas, mas EU serei realmente feliz com o emprego/salário/corpo perfeitos". A Laurie também tem uma resposta para isso. 

Coisa irritante da nossa mente n.º 1: quando pensamos que a nossa mente nos entrega uma intuição, como por exemplo: "eh pá, vou sentir-me mesmo triste se tiver má nota no exame", então essa intuição passa a ser normativamente correta. Mas a verdade é que a nossa mente está sempre a apresentar-nos intuições sobre o que está errado e correto, tantas até que às vezes ficamos na dúvida. No exemplo da imagem com as duas linhas, a nossa intuição torna-se por vezes mais poderosa do que a instância verdadeira. 

Mais um exemplo:

"Se uma bola de baseball e um taco custam 1,10€ juntos, mas o taco custa 1€ a mais do que a bola, quando custa a bola?"

A primeira coisa em que se pensa, intuitivamente, é que a bola custa 10 cêntimos, o que está errado. A bola custa 5 cêntimos, e o taco custa mais 1€ do que a bola, logo o preço da bola tem de estar incluído no preço do taco. Se a bola custasse 10 cêntimos, sobrariam apenas 1€, e não 1€ a mais do que a bola. Portanto, a bola custa 5 cêntimos, e o taco custa 1,05€. 

E a maior parte das intuições que temos sobre a nossa felicidade, também estão erradas.

Resultado de imagem para the sims

Por exemplo, de vez em quando bate o bichinho de jogar os Sims. É o jogo mais vendido a nível mundial, malta. Como é que uma miúda de 89 escapa a isto? E, quando bate, a Rita passa cerca de duas horas a instalar o jogo, porque sabem como é, todas aquelas expansões e objetos levam o seu tempo a instalar. E claro que instalo cada vez que jogo porque, para já, ocupa perto de 80 GB no pc e depois porque a vontade de jogar vem uma vez por ano, e então de alguma forma acabo sempre por desinstalar e voltar a instalar mais cedo ou mais tarde.

Isto tudo para vos dizer que enquanto instalo o jogo, a minha intuição é a de que "Uau! Há tanto tempo que não jogo, vai ser espectacular. É desta que não uso códigos e jogo normalmente. É desta que passo mesmo a jogar regularmente". Bate uma felicidade falsinha, daquelas... E a verdade é que nunca acontece. Nunca! Farto-me passado quase tanto tempo como o que passo a instalar. Enfim.

A maior parte dos objetivos que achamos que nos vão fazer felizes, não o fazem. 

Vá, agora escrevam esta frase 100 vezes num caderno até interiorizarem. 

 

A ciência por trás da felicidade #2 - as coisas materiais, o amor e o corpo perfeito.

Rita (porque minimalistas há muitas), 06.09.19

Na publicação anterior falámos dos erros e mitos mais comuns acerca do nosso "emprego ideal" ou do facto de querermos ter sempre mais dinheiro - e que isso de alguma forma nos traz felicidade. BALELAS. Sim, o dinheiro traz alguma felicidade, mas só até ao ponto de termos todas as nossas necessidades básicas atendidas. E não, não estou a falar do smartphone que sai para a semana nem do novo concept que a BMW lançou para exposição. Pronto, pronto, até aqui já sabemos. Já dizia o Jim Carrey que só queria que toda a gente fosse milionária para perceber que não é esse o caminho.

Mas e o amor? Aquele verdadeiro. O que nos faz ir a uma demonstração da bimby, montar uma horta e ficar endividados com o banco para o resto da vida? Pois é... Também não é o que parece. Ele de facto, existe, mas não tem grande impacto na felicidade. Não depois de um anito ou dois. 

Ora vejamos.

Quanto às "coisas", a Professora Laurie faz um enquadramento muito engraçado do número de vezes que uma marca de carros ou um tipo de bebida aparece em músicas. Aqueles que são os nossos objectivos materiais, as coisas que supostamente nos trarão felicidade quando as comprarmos. 

A verdade é que um estudo feito entre 1976 e 2003, revela que as pessoas que tinham uma tendência materialista no início, acabaram por ser as que tinham menos satisfação de vida em 2003. E mais, por passarem 20 anos à procura destas coisas, acabaram por apresentar mais problemas mentais do que as pessoas que não tinham aspirações materiais. 

Quanto ao amor e ao estudo que decorreu durante 15 anos - as pessoas que se casaram, são ou não são mais felizes? Sim! A sua felicidade aumentou, que alegria! Durante um ano ou dois. Depois disso, a felicidade é a mesma do que as pessoas que não estão casadas. Chama-se o "efeito da lua de mel". Isto, obviamente, para os chamados "casamentos felizes". Os infelizes têm problemas bem maiores do que a diminuição da felicidade, I guess. Portanto, não é por acaso que se fala das crises dos 2, 5 ou 7 anos de relação. 

5.JPG

E ter um corpo perfeito, ajuda nesta coisa da felicidade? A cara perfeita sem borbulhas e com sobrancelhas depiladas por um ninja asiático?

Óbvio que não, aliás, todas as redes sociais dizem que sim senhor. Ter 40 quilos e um bronze que dura o ano inteiro é que importa. (Newsflash: isso importa para algumas pessoas, não todas. De facto, gostam de falar deste tipo de magreza como se a pessoa fosse um pedaço de carne. Mas quando é para casar... Ai, aí já estamos a falar de outro tipo de corpo. Um que carregue um bebé durante 9 meses e que não se desmanche a subir um degrau. Estão a perceber, não é?)

Todos aqueles cenários de beleza e de vida espampanante que a maioria das pessoas apresenta nas redes sociais é que trazem felicidade e uma pessoa esfalfa-se a trabalhar para conseguir tudo aquilo. Depois quando consegue, já passaram 20 anos e já é tarde. Surgem as doenças, a velhice e os arrependimentos. 

Pronto, em 2014 foi lançado um estudo de acompanhamento de 2000 pessoas obesas e dividiram-nas em três grupos: perda de peso, aumento de peso e o mesmo peso. Ora então, o que aconteceu foi que a percentagem de pessoas com humor depressivo aumentou em todos os casos. Mais ainda nos indivíduos que perderam peso durante o processo:

6.JPG

Noutro estudo sobre cirurgia estética, chegou-se à conclusão de que as pessoas que querem de alguma forma mudar o seu corpo, têm mais tendência para suicídio, abuso do álcool ou outro tipo de problemas de conduta. Estes factores pioram depois da cirurgia:

7.JPG

Portanto, até aqui sabemos que nada do que foi dito até agora aumenta significativamente a nossa felicidade. Até eu começo a ficar curiosa com isto. 

Não percam os próximos episódios, porque nós também não!

 

minimalismo para iniciantes

Rita (porque minimalistas há muitas), 02.09.19

Olá malta. 

Sinto que já devia ter feito esta publicação há muito tempo. Existem algumas dúvidas sobre a sua verdadeira essência e para muita gente, o minimalismo é um estilo de arquitetura ou de decoração. Para outros é tabu ou alvo de chacota.

Resultado de imagem para simple

Para começar, o minimalismo não é um objetivo. É um estilo de vida. Trata-se de simplificar para que possamos aproveitar coisas e momentos mais importantes. Sim, pode refletir-se num estilo de decoração, como aliás acabará por acontecer inevitavelmente. Mas não só.

O minimalismo pode inicialmente surgir após uma vontade imensa de "destralhar" a casa ou depois de ter visto um documentário sobre o assunto. Nem precisa de ser direto, mas por uma questão ambiental também. Existem por aí muitos documentários porreiros (o netflix é um bom começo).

No meu caso foi o "minimalism", um documentário sobre as coisas importantes. Deu-se um clique e no próprio dia comecei a descartar e a dar coisas que não precisava.

Coisas que eu achava que precisava, mas que detestava. Os tapetes e os cortinados foram os primeiros. No caso dos tapetes, eu sempre disse que o chão dá muito menos trabalho a lavar do que os tapetes. Para além de serem objetos muito perigosos para os meus pés. Hoje, vivo muito melhor sem eles. Tenho um para usar na cozinha mas só para quando se faz comida ou se lava loiça para não andarmos a sapatinhar, depois arruma-se

Quanto aos cortinados, não sei porquê, mas irritam-me. Só tenho na sala e no quarto. E tenho no quarto porque o namorado lá me convenceu a pôr, depois de um ano de estarmos a morar nesta casa. É um rés-do-chão, e passamos a maior parte do nosso tempo na sala, logo os cortinados valem a pena por uma questão de privacidade e para termos alguma luz natural. Cortinados que já vinham com a casa (diga-se de passagem - os da sala, não os do quarto).

Depois, foram estas coisas todas. Tenho de voltar a destralhar um pouco, já acumulei algumas delas. Vocês sabem - CD's, toalhas de banho para 40 pessoas, panos de cozinha para um exército inteiro, etc.

Uma dica é dizer às pessoas para não vos oferecerem "coisas" no natal ou nos aniversários. Meias tudo bem, mais cedo ou mais tarde acabamos por precisar delas, mas toalhas e panos, normalmente duram a vida toda ou grande parte dela. Se as pessoas tiverem mesmo de dar alguma coisa, peçam antes experiências (um jantar, um bilhete de cinema ou de concerto) ou coisas que precisem mesmo para casa. Coisas que não tenham e que fazem falta. 

Mas afinal quem é que gosta de chegar ao fim do mês sem dinheiro na mão? Sabiam que o minimalismo resolve o problema?

Comidinha caseira, um guarda roupa simples com cores neutras, sem tralha em casa (que só dá trabalho a limpar) e passar uma tarde com a família em vez de no shopping são algumas das escolhas que podem fazer. 

Mais uma coisa, não adianta dizer-vos que coisas devem destralhar em casa se não souberem o que o minimalismo representa. É preciso fazer o contrário. Quando compreenderem a sua essência, o destralhe acontece naturalmente. A pessoa fica muito mais consciente quanto ao seu consumo e pensa duas vezes se vale a pena levar algum objeto para casa ou não.

Um objeto tem de servir algum propósito (se não mais) e faz parte das responsabilidades do seu portador perceber até que ponto é que lhe é útil. Não se sintam culpados por terem qualquer coisa em casa que não vos traz valor ou que simplesmente não gostam mais. Trecos que vos tenham sido dados no casamento ou postais que vos enchem uma gaveta, por exemplo.

Em primeiro lugar, a pessoa que vos deu isso já não se lembra, nem sequer se importa se guardam ou não. A verdade é que só o facto de vos ter dado alguma coisa, aliviou o seu estado de espírito e pouco importa o que vocês fazem com o objeto. Aqui fala mais alto o consumismo e a obrigatoriedade de ter de comprar alguma coisa, como se fosse um gesto de dizer o quão essa pessoa nos aprecia e gosta de nós.

É mais fácil comprar um jarro para pôr num canto da casa do que dizer "amo-te".

Não se esqueçam, menos é mais. É poder gastar o dinheiro em coisas que realmente importam, como fazer uma viagem grande para estar em família ou ir às compras para fazer uma churrascada com amigos em casa. É poder poupar mais dinheiro para algum problema que surja. É poder pagar créditos antecipadamente. É poder não gastar esse dinheiro em coisas supérfluas, tipo um vestido diferente para cada ocasião ou aquele cortador de legumes magnífico que aparece na TV. 

Não se esqueça que tudo o que não pode fazer nesta vida, fará na próxima. Deixe de perseguir objetivos inatingíveis e contente-se com o que tem. Não perca 80 horas semanais no emprego para poder comprar o seu carro ou a sua casa de sonho. Contente-se com o teto que tem. Evite que a criança que tem em casa cresça desapegada de si.

“OWNING LESS IS GREAT. WANTING LESS IS BETTER.”

Ter menos é bom. Querer menos é melhor.

Joshua Becker, Becoming Minimalist

  "Ame as pessoas e use os objectos. Porque o oposto nunca funciona" - The minimalists

Mais publicações úteis:

20 acções rumo ao minimalismo

Uma compra que me tirou a paz de espírito

A arte de apreciar o que é bom e este meu novo ser

Frugalidade vs Zero Waste e Minimalismo: a 1ª viagem depois da Epifania

Quando nos apercebemos que somos realmente muito felizes

Não comprava roupa há mais de 2 anos - Pessoas escandalizadas

De quantos objectos precisas para seres feliz? - Público 2013

Desafio 30 dias minimalista

As minhas 206 peças de roupa e calçado

O meu cérebro enganou-me no fim de semana

Continuo a preferir o meu carro velhinho

O melhor presente de Natal que vi (até) hoje

Viver com simplicidade

O dia em que saí do facebook

Finanças pessoais: O melhor plano para o sucesso financeiro

O minimalismo e o mundo digital

Ser minimalista no século XXI

 

 

Ser minimalista no século XXI.

Rita (porque minimalistas há muitas), 27.08.19

1.jpg

Sim, porque se pensarmos no tempo dos nossos avós, toda a gente o era. Pelo menos em Portugal. Não pelos motivos mais felizes.

Muitas vezes me conta histórias o meu avô, do tempo em que ia descalço para a escola. Do tempo em que o seu pequeno almoço era uma fatia de pão atrasado com aguardente queimada. Ou quando comia o rabo de uma sardinha, por ser o mais novo de 3 irmãos. Mais tarde, foi dado como morto na Guiné e não se conseguia casar com a minha avó quando veio para cá. 

Coisas impensáveis nos dias que correm. Não, hoje os problemas da sociedade são outros. 

Hoje queremos o smartphone que sai no mês que vem. Queremos o que os outros têm, que por sua vez obtiveram porque alguém lhes mostrou que tinha. Queremos ser mais felizes que o vizinho - que todos os dias nos apresenta um sorriso e se nota que é feliz, como se tal felicidade fosse causada pelo carro topo de gama que tem na garagem, ou mesmo pela casa de férias nas Bahamas.

Não, minha gente. O vizinho provavelmente acabou de ensinar o neto a andar de bicicleta. O vizinho descobriu que a filha está grávida pela segunda vez e está a imaginar-se a pegar na pessoinha quando vier cá para fora. Ou então a senhora sua esposa saiu do hospital já fora de perigo, depois de uma longa temporada de exames médicos. 

Estamos sempre descontentes com as nossas circunstâncias. Só para terem uma ideia, há gente que faz créditos de 25 anos com prestações mensais de 300€ para comprar um BMW - não estou a brincar. 

Estamos descontentes com a "miséria" do nosso salário. Não chega nem de perto para as tecnologiquisses ou para a viagem dos nossos sonhos. Não chega para comprar a roupa que queremos. Ora, não chega para nada. 

No entanto, o dinheiro estica e vamos sobrevivendo de uns meses para os outros. Que remédio, pois bem. Temos um teto que nos abriga da noite. Temos comida na mesa. Temos cuecas e meias lavadas para vestir todos os dias. Ou pelo menos, eu dou graças por ter tudo isto. 

Vamos lá ver, eu não sou praticante. Não sou religiosa. Sou uma mulher da ciência e acredito que as circunstâncias são criadas por nós ou são simplesmente coincidências. O mundo é pequeno, as coisas acontecem. No entanto, acredito que tudo o que nos acontece se reflete mais tarde e naquilo que é o nosso destino. 

Dou graças aos meus pais por me terem dado uma educação de valor, por me terem pago um curso superior e por me terem apoiado incansavelmente quando quis mudar a meio do primeiro ano. Dou graças ao centro de emprego que me encontrou o primeiro estágio e me permitiu que não parasse de trabalhar desde então. 

Dou graças à proposta de doutoramento que me permitiu passar por uma mudança radical e por me ter apresentado o minimalismo. Por me ter deixado pensar por mim mesma, que afinal vai contra a maré. Por me ter deixado expandir os meus horizontes e por me ter permitido estudar a filosofia.

Ser minimalista no século XXI é saber dizer que não. É saber votar tanto no governo como nas lojas onde fazemos as nossas compras.

É saber que mais é menos. É saber distinguir entre o que precisamos e o que queremos só para nos encher o ego. É preferir passar uma noite em casa a jogar jogos de tabuleiro com amigos e passar uma tarde a ler um bom livro em casa.

O minimalismo não é ter menos de 100 coisas ou dormir no chão. Não é andar de sofá em sofá com uma mochila às costas nem usar o mesmo par de calças o ano inteiro. Não me canso de dizer isto. Há quem o faça. Cada um vive o minimalismo como quer e não há regras.

Eu não o faço. Tenho a minha casa, tenho mais de 100 coisas e não durmo no chão. Tenho serviço de TV e internet, tenho uma bimby, vou a restaurantes e gosto de passear. Não ando por aí a dizer que sou minimalista, só as pessoas que lêem este blog sabem que o sou. E felizmente não se metem comigo a respeito disso. 

O minimalismo faz parte de mim. Acordou-me. Dou graças ao mundo por me ter mostrado o conceito e por fazer de mim uma pessoa muito mais completa do que era há uns anos atrás. 

Bom, isto tudo para dizer que há quem o faça e quem consiga remar contra a maré do consumismo. Não é preciso andar sempre em cima do acontecimento para ser feliz. Aliás, é precisamente o contrário. 

Faça uma pausa. Tire 15 minutos do seu dia e olhe ao redor. Porque é que está nesse lugar?

. Talvez esteja numa esplanada a beber um café ao final da tarde. Não é bom, poder tomar esse café e estar um sol de meter inveja?

. Ou então está no emprego, sentado(a) à secretária em frente do computador. Eu prometo que não digo ao patrão. Mas, e que tal? Poder estar num sítio que lhe dá dinheiro em troca do seu serviço?

. Está em casa, sentado(a) no sofá? Com o marido ou a esposa ao lado e com o filho a brincar no chão da sala? Ora que glorioso. 

Agora pegue num bloco de notas e escreva os motivos da sua gratidão. 

Faça isto todos os dias até se habituar a ver o mundo com outros olhos. Até se gratificar por estar sentado(a) na sanita e poder estar o tempo que quiser. Em Auschwitz e Birkenau, isso não era possível.

E agora vem o momento da propaganda. Viva ao minimalismo. Viva à expressão de liberdade e à consciencialização do povo. Deixem-se de coisas e abracem o que têm. 

Quem se diz vegan não sabe que mente.

Rita (porque minimalistas há muitas), 26.08.19

Ou finge que não sabe. 

vegan-3412880_960_720.jpg

Entenda-se que:

ve·ga·no 
(inglês vegan)

adjectivo

1. Relativo ao veganismo (ex.: ideologia vegana).

adjectivo e substantivo masculino

2. Que ou quem não utiliza ou não consome produtos derivados de animaisque ou quem é adepto do veganismo (ex.: roupa veganaos veganos  comem alimentos de origem vegetal) [Contrariamente a alguns vegetarianosos veganos não ingerem nenhum tipo de carneovosmel ou lacticínios].


"vegano", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/vegano [consultado em 26-08-2019].
 
 

E se vos disser que 45% produtos de origem animal não são usados em alimentação?

Atenção, que as palavras "origem animal" vão andar nos vossos sonhos durante meio ano. E malta, este texto é suposto ser cómico e tem o seu quê de ironia e sarcasmo. Por favor, não me levem a mal. Respeito muito o vegetarianismo e a alimentação vegan.

Mas então vejamos. A quantas destas perguntas o leitor responde que não? 

 

1. Come carne? Peixe ou marisco?

2. Consome ovos? Lacticínios? Cereais de pequeno-almoço com leite na composição? E tostas? Mini-tostas? Croissants? Pão de forma? Bolos, bolachas e biscoitos com lactose?

3. A "margarina vegetal" que tem no frigorífico - tem soro de leite? E a fruta em conserva ou a compota? Veja lá.

4. E mel, come?

5. Toma suplementos vitamínicos e minerais?

6. Alimentos cujo rótulo apresente percentagens de colesterol, gelatina, caseína, albumina, ictiocola, glicerina, ácido esteárico ou láctico, aroma natural, carmim/ácido carmínico extraído de insectos esmagados, glicerina a partir de gordura animal, lactose de leite animal, lecitina, ómega-3, soro de leite, vitamina A de origem animal (retinol), vitamina D3 obtida a partir de cera de lã de ovelha (lanolina) ou de óleo de peixe? Dica: Se não diz que é vegetal, é animal. Ponto.

7. E os belos dos E's de origem animal? São muitos. Mesmo muitos. Listados aqui.

8. Verifica periodicamente (ou cada vez que compra) todos os ingredientes desse mesmo alimento? Sabia que, da noite para o dia, um pão pode passar a ter soro de leite? Pronto, se fizer o pão em casa tudo bem. Mas espere... os utensílios que usa, são de fiar? Não têm borracha de origem animal, pois não? E os cereais não levaram com adubo das vaquinhas em cima?

9. Tem veículo com ou sem motor com pneus de origem animal para se transportar? E o biocombustível (que presumo que use em veículos autorizados e de acordo com a legislação em vigor), tem carne de boi ou de frango?

10. Usa transportes públicos? Com pneus de origem animal?

11. Usa sacos de plástico cuja composição tem um ingrediente de origem animal que diminui o efeito estático que o material pode causar? O teste da fricção e dos pelos do braço nem sempre funciona, atenção.

12. Usa sacos de algodão cujo processo de manufactura usa borrachas/plástico de origem animal? A tinta da estampagem, é animal? E a distribuição às lojas, como se faz? É o dono da empresa que vai a pé e leva as caixas às costas? Por acaso estas caixas não têm fita adesiva... ou têm? E o dono da empresa é vegan, certo? Caso contrário parava um par de vezes pelo caminho para comer animais e trocar de sapatos com borracha animal.

13. Tem móveis de madeira em casa? A cola tem na sua composição vestígios de animais que por acaso (e infelizmente) só é o melhor adesivo para fixar elementos de madeira? - E no trabalho, há móveis de madeira? E instrumentos de madeira - também me vai dizer que não? Não se esqueça da flauta que comprou à filha.

14. Gosta de fogo de artifício? Alguma vez viu do início ao fim sem ficar positivamente maravilhado e de sorriso na cara? Vamos considerar que sim e que fez parte do público alvo que levou o comprador a obter o produto, e que portanto, consumiu. Tem ácido esteárico na sua composição? Deve ter, nem dá para saber se é de origem animal ou vegetal… E mesmo que não tenha - já disparou, já consumiu.

15. Amaciador de roupa com dihydrogenated tallow dimethyl ammonium chloride? Produtos cosméticos com “Pantenol”, “aminoácidos” e “vitamina B” de origem animal? E a pasta de dentes, tem glicerina animal? Não nos podemos esquecer do belo do verniz das unhas que tem escamas de peixe.

16. O seu açúcar branco e mascavado "utiliza cinzas purificadas feitas com ossos no refinamento"? Bom, uma coisa é certa: se não ingere este açúcar, 90% dos produtos alimentares deste mundo desaparecem da sua lista. Na dúvida, opte pelo açúcar de coco, se não se importar de pagar 10€ por kg.

17. E as tatuagens, que lindas que são? Será que têm "carvão de origem animal, glicerina derivada de gordura animal, gelatina derivada da pele, tendões, ligamentos ou ossos de vacas e porcos ou goma-laca de insetos"?

18. Gosta de pastilhas elásticas e tem por hábito comer? E gomas?

19. A cerveja... A bela da cerveja. É daquelas estranhas que contêm leite ou mel? Não? Ótimo. Desde que o adubo não seja de origem animal.

20. Eu compreendo. Não tem paciência para ver rótulos. Prefere cultivar, cozinhar e fazer tudo em casa? Pronto, ótimo. Tem teares para a roupa? Cuidado com a tal cola. A menos que tenha dinheiro para comprar "roupa vegan". Roupa esta, cujo processo de manufactura não use borrachas nem tintas de origem animal, bem como a distribuição da mesma lhe seja entregue em casa por alguém que viajou a pé com uma caixa às costas, de cartão e sem fita cola. - De qualquer forma, e depois deste trabalho todo de pesquisa, dá dinheiro à pessoa que lhe entregou a mercadoria para esta comer carne. - Mas, e a terra cultivada, tem adubo? Eu faço um desconto, as minhocas não contam. 

21. E os sapatos, se não encontrar uma marca em condições, faz em casa? Em tricô? Sem lã de ovelha, espero. Couro e borracha também estão fora de questão. Algodão e cortiça? Talvez seja uma boa ideia, mas cuidado com a cola, não me canso de dizer. Pode sempre tentar fazer os polímeros e as fibras sintéticas em casa...

22. Usa preservativos?  

23. Toma medicamentos? Eu não tomava.

24. Come batatas fritas congeladas ou de pacote? Molho inglês? Sumo de laranja industrializado? Amendoins em pacote já descascados?

25. Ah, espere lá. Não me diga que tem cosméticos de origem vegetal? Com óleo de palma? Sendo a gordura vegetal mais barata do mercado, é provável que a tenha em casa. E só é responsável por uma das maiores crises de desflorestação e de impacto em espécies animais, nomeadamente de orangotangos e tigres de Sumatra - ambos em vias de extinção, by the way

É muito fácil. Só tem de ter uma pessoa a trabalhar no duro e a sustentar a sua casa ecologica, sustentavel e completamente vegan. 

Não me digam que há coisas nesta lista que não se remetem à vossa responsabilidade (dos vegans, quero eu dizer). Se compram uma t-shirt "vegan", estão a fazer um voto de consumismo - "Sim, façam mais destas. Usem materiais vegetais ou minerais para depois no processo de manufatura e distribuição usarem aquilo que vos apetecer, quero lá saber."

Como já disse no início, respeito muito o vegetarianismo e a alimentação vegan. Mas não me digam que existem vegans no planeta. Pessoas que praticam uma alimentação vegan, sim. Agradeço-lhes profundamente e faço uma vénia. Caso contrário, não. Mesmo que alguém tenha o esforço de tentar levar o veganismo avante, duvido que se consiga fazer a 100%.

Oh, minto. É possível que se seja um eremita nu, numa gruta naturalmente aquecida com água potável e espaço para uma horta naturalmente feita com todos os nutrientes e vitaminas à disposição. Desculpem a minha frontalidade, mas estou numa idade em que digo tudo o que me vem à cabeça sem pensar muito nas consequências. 

Fontes: [1]   [2]    [3]    [4]    [5]     [6]     [7]      [8]

Más notícias da semana #1

Rita (porque minimalistas há muitas), 22.08.19

Olá!

environment-environmental-damage-ocean-pollution-8

A ideia de lançar a nova rúbrica de "Boas notícias da semana" até nem foi má... Pior foi descobrir que no meio de tanta coisa boa, as más notícias prevalecem, infelizmente. 

Esta semana em:

Animais:

- Milhões de abelhas estão a morrer no Brasil e isso é um aviso

Bacalhau do Mar do Norte está em risco e pode deixar de chegar às mesas

- Indonésia. Excesso de turistas coloca em risco dragão de Komodo

- O dugongo mais famoso da Tailândia morreu por comer plástico

- Rola-brava já quase não se vê, mas caça abre neste domingo

- Sabugal: video mostra touro a ser morto na arena

- Portugal. Abandonados por ano dez mil animais

- Estados Unidos vão deixar mais desprotegidos animais ameaçados

- Aves Marinhas Que Comem Plástico – e Sobrevivem – Têm Graves Problemas de Saúde

- Matança de abelhas no Brasil alerta para risco dos agrotóxicos

 

Ambiente:

- Aplicação tem mais de 23 mil registos de lixo marinho em seis meses

- Presidente brasileiro quer liberalizar mineração em terras indígenas no Brasil

- Poluição pode ser tão grave para pulmões como um maço de tabaco por dia, diz estudo

Praia de Faro interdita a banhos por elevada concentração da bactéria E.Coli

- Amazónia é o ecossistema mais afetado pelos incêndios no Brasil

- Venda da madeira do Pinhal de Leiria já rendeu 13,6 milhões de euros

- Encontradas partículas de microplásticos pela primeira vez no Ártico

- Isabel Tavares: "Temos menos água que barriga, temos que a poupar"

- "Em 30 anos, grandes áreas do Alentejo já não terão condições para vinho"

- Islândia. Monumento em memória do primeiro glaciar morto

- Chove plástico nos Estados Unidos. Pesquisador deteta microplásticos na precipitação

- Está a chover plástico nas Montanhas Rochosas

- Os microplásticos caem com a neve e a chuva. E estão por todo o lado

- Nevam micoplásticos no Artico e há praias com algas e pedras que plástico

- A Amazónia está a arder — e já se vê do espaço

- Se o mundo aquecer dois graus, os Verões serão mais extremos

- Cidade de Hasankeyf ficará submersa e com ela dez mil anos de história

- Portugal não tem limites para a poluição luminosa

- Usamos quatro vezes mais luz “por candeeiro” do que a Alemanha

- "A mãe natureza está a pedir socorro"

- Amazónia e Sibéria: pulmões do mundo em risco

- Más notícias para o clima: julho foi o mês mais quente já registrado na Terra

- O crescimento de plantas tem diminuído drasticamente no mundo por causa do ar seco

- Onda de calor está transformando o gelo da Groenlândia em lama. E isso é uma péssima notícia

- A banana está cada vez mais perto de desaparecer

Imazon: desmatamento na Amazônia aumentou 15% em 12 meses

- Degelo dos Glaciares do Alasca é 100 Vezes Mais Acentuado do que se Pensava

- A Fenda que Divide Uma Plataforma de Gelo em Dois na Antártida

- Novo Tipo de Lixo Marinho Invade a Madeira

- Estudo vê possível elo entre poluição ambiental e depressão e esquizofrenia

- Cientistas encontraram uma nova forma de plástico que se parece com pedras

- Febre do lítio pede licença para chegar a Portugal

- O Pólo Norte está a ser atingido por relâmpagos (e isso não é normal)

- Há uma cidade na Venezuela que é “invisível” - de calcário e xisto (produção de cimento)

- Explosão nuclear dispara radiação. Rússia mantém silêncio e evacua aldeia

- Há um mar de partículas de plástico entre as ilhas de Maiorca e Menorca

- Fukushima está prestes a ficar sem espaço para armazenar a sua água radioativa

- Câmara de Leiria acusada de ocultar poluição das suiniculturas na Ribeira dos Milagres

- Poluição do ar aumenta risco de depressão, diz pesquisa

- Poluição da água pode reduzir crescimento econômico em um terço, diz Banco Mundial

 

Turismo, Transportes e Entretenimento:

- Carros elétricos precisam de mais cobre que os convencionais

- Balanço global. Trotinetas elétricas alugadas poluem mais que veículos normais

Vandalismo — e não só — estraga o “selo verde” das trotinetas eléctricas

 

Outras:

- Blythe Pepino: “Não ter filhos é uma declaração política, uma questão de vida ou morte” - Para conter um “iminente desastre ecológico

 

Nota: Esta rúbrica contém notícias de cariz ambiental e social positivas que são publicadas em diversas páginas online, não sendo verificada a veracidade das mesmas. O conteúdo apresentado é da responsabilidade dos respetivos autores. 

Fui ao casino.

Rita (porque minimalistas há muitas), 19.08.19

Cassino, Jogo De Azar, Máquinas Caça Níqueis

Oh, se fui!

E não é que não gostei nada da experiência? Quero dizer, eu até entrei com 10€ e saí com 50€, devia estar a sentir-me bem com isto de ganhar dinheiro, mas caramba - não gostei nada daquilo. 

Primeiro, porque toda a gente tem as caras viradas para as máquinas e para os jogos de mesa como se não existisse mais nada no mundo e como se estivessem com uma dor de barriga de não chegar a tempo da casa de banho. Parecia que estava num episódio de Black Mirror.  Além do mais, têm de tal ordem uma poker face que até enerva. Estejam nas máquinas ou na roleta. 

Segundo, porque é tudo tão escuro e com cores de discoteca e de bares noturnos, que fazem lembrar as danças de varão que aparecem nos filmes. Um ambiente super pesado. Não pensem que vão para lá divertir-se, porque mesmo que tenham uma conta bancária que pague 500 Ronaldos e Beyoncés, acho que nunca ninguém gostou de gastar dinheiro à bruta. Ricos não se fazem em casinos. 

Resultado de imagem para casino

Terceiro, porque pela primeira vez na minha vida senti aquelas-más-energias-que-só-pessoas-estranhas-é-que-sentem a tal ponto de eu ter ficado com um peso muito pesado no estômago. Comentei até com o meu namorado. Sabem aquela sensação de saberem que vão ser despedidos do emprego, de não terem qualquer prospectiva de trabalho nos próximos 5 anos e estão prestes a  perder a casa e a entrar no gabinete dos recursos humanos? Foi assim que me senti. Isto só passou umas duas horas depois de ter saído de lá. 

Ora, pensem comigo. De que outro modo o casino conseguia pagar ordenados a dezenas de pessoas se os clientes ganhassem dinheiro lá dentro? Juro-vos que vi umas 40 pessoas a trabalhar lá dentro.

Outra coisa, para eu sair de lá com 50€ foi preciso alguém perder 100€. Alguém que não é o dono do casino, obviamente.

Bom, eu fui porque me convidaram. Por uma questão de convivência entre amigos e porque nunca lá tinha estado  nem nunca me tinha ocorrido tal coisa. A verdade é que detestei.

Fica aqui uma das minhas aventuras como minimalista num mundo que não meu, quase como se fosse de outra galáxia. Acho que me sentia mais confortável em Marte. 

Resultado de imagem para mars cartoon

Viver com simplicidade

Rita (porque minimalistas há muitas), 07.01.19

Olá malta!

 

Já não escrevo há algum tempo, é verdade. Decidi fazer uma pausa e "retrospectivar" sobre tudo o que se passa à minha volta nesta altura do ano, ou dos anos. De vez em quando gosto de fazer isto, afastar-me um bocado e concentrar-me nas minhas prioridades e estilo de vida. 

 

Viver com simplicidade. É isto que eu quero para mim e para a sociedade, não fosse esta uma das mais variadas mensagens que o Papa Francisco tem vindo a espalhar. Confesso-vos que apesar de ser cristã - porque assim me batizaram - não sou praticante.

 

Não sou praticante, mas gosto de ouvir o homem. Ele sabe do que fala, é sábio e cheio de experiência no que diz respeito à natureza humana. Tem de se manter atualizado.  Como o Portas, mas de uma forma menos quantitativa, estão a perceber?

 

Sorry about thatAnyway, passámos uma época anual de muito consumismo e de novas realizações pessoais, pelo que é tempo de pensarmos nas nossas atitudes perante o universo e no nosso modo de estar e de viver, tendo em conta a nossa pegada ecológica.

 

Todos os dias somos bombardeados com notícias sobre os mais variados temas direta ou indiretamente ligados ao consumismo. Desde a redução do plástico ao aquecimento global. Vocês sabem que não é tudo treta, não sabem? Digam-me que sim. É tudo verdade, está a acontecer rapidamente e pode não afetar-vos a vós mas certamente que irá afetar os vossos filhos. 

 

Tenho quatro desafios para vocês para 2019.

1. As perguntas:

 

Peguem em cada objeto que estão prestes a comprar e façam estas quatro perguntas:

 

- Preciso mesmo disto?

- Tenho alguma coisa em casa que faz a mesma coisa?

- Isto serve mais do que 2 propósitos diferentes?

- Consigo arranjar em segunda mão?

 

 

2.O tempo de espera:

 

Se o dito objeto custa mais do que 20€ e estiver a mais de 20 minutos de distância da vossa casa, esperem o número de dias correspondente ao preço. Custa 30€? Esperem um mês. Custa 300€? Esperem um ano. Se acharem muito radical, façam as vossas próprias regras e definam um intervalo de tempo que achem que se adequa às vossas necessidades. Nota: Comprar casa ou bens essenciais não conta, ok? 

 

3. O destralhe:

 

Ai como é bom destralhar e dar um novo propósito às coisas que não usamos! Evitem a todo o custo deitar coisas fora, porque já sabemos como funcionam os aterros certo? Ao longo do ano tentem destralhar um objeto por dia em vossa casa. E para deixar as coisas ainda mais interessantes: Que tal descartar/reutilizar/doar um objeto cada vez que entra algo novo em casa?  

 

4. Reduzir o consumo de carne:

 

Esta resolução para 2019 está na moda, e não podia deixar de colocar aqui o desafio. Que tal fazer duas ou três refeições por semana sem carne?

 

Parece-bos vem?

 

Um bom ano a todos!

Divirtam-se, sejam felizes e aconcheguem-se que está frio!

Uma compra que me tirou a paz de espírito.

Rita (porque minimalistas há muitas), 14.04.18

Normalmente não escrevo aos sábados, mas hoje tem de ser. O minimalismo tem favorecido tanto a minha paz de espírito e tem feito sentir-me tão bem que vale a pena falar sobre isto aqui no blog. Fizemos uma compra que estragou tudo. Eu digo fizémos, porque como casal, o dinheiro é dos dois, não é só meu. Mas foi uma compra para ele. Um telemóvel novo caríssimo. Não vou dizer o preço porque o minimalismo acenta no porquê e não em quanto ou no quê, e o que pode ser muito para mim, para vocês pode ser pouco e vice versa. 

 

Enfim, queria deixar aqui o meu desabafo porque efetivamente desequilibrou-me a alma. Para já, não precisávamos de nenhum telemóvel. Cada um tinha o seu, e estávamos bem assim. Os dois funcionam em perfeitas condições. Na altura, pensei cá para mim "bom, se a vontade de comprar se mantiver por alguns meses, então aí compra-se" e foi o que aconteceu. Mas é tudo muito bonito enquanto o telemóvel não chega. Eu estava bem e equilibrada. A partir do momento em que o objeto chegou foi o fim do mundo. Ando rabugenta e nem sequer consigo dormir. Até os colegas de trabalho me perguntam o que se passa. O pior de tudo é que nem me tinha apercebido do que se estava a passar comigo até ontem à noite. Senti-me mal disposta, como se o meu cérebro e o coração tivessem descido ao estômago. Nem a meditação me valeu. Foi terrível. Como é que me levanto desta?