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Rumo ao Minimalismo

A minha viagem ao minimalismo, desperdício zero e vegetarianismo - Estou quase, quase lá!

Rumo ao Minimalismo

A minha viagem ao minimalismo, desperdício zero e vegetarianismo - Estou quase, quase lá!

Ser minimalista no século XXI.

Rita (porque minimalistas há muitas), 27.08.19

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Sim, porque se pensarmos no tempo dos nossos avós, toda a gente o era. Pelo menos em Portugal. Não pelos motivos mais felizes.

Muitas vezes me conta histórias o meu avô, do tempo em que ia descalço para a escola. Do tempo em que o seu pequeno almoço era uma fatia de pão atrasado com aguardente queimada. Ou quando comia o rabo de uma sardinha, por ser o mais novo de 3 irmãos. Mais tarde, foi dado como morto na Guiné e não se conseguia casar com a minha avó quando veio para cá. 

Coisas impensáveis nos dias que correm. Não, hoje os problemas da sociedade são outros. 

Hoje queremos o smartphone que sai no mês que vem. Queremos o que os outros têm, que por sua vez obtiveram porque alguém lhes mostrou que tinha. Queremos ser mais felizes que o vizinho - que todos os dias nos apresenta um sorriso e se nota que é feliz, como se tal felicidade fosse causada pelo carro topo de gama que tem na garagem, ou mesmo pela casa de férias nas Bahamas.

Não, minha gente. O vizinho provavelmente acabou de ensinar o neto a andar de bicicleta. O vizinho descobriu que a filha está grávida pela segunda vez e está a imaginar-se a pegar na pessoinha quando vier cá para fora. Ou então a senhora sua esposa saiu do hospital já fora de perigo, depois de uma longa temporada de exames médicos. 

Estamos sempre descontentes com as nossas circunstâncias. Só para terem uma ideia, há gente que faz créditos de 25 anos com prestações mensais de 300€ para comprar um BMW - não estou a brincar. 

Estamos descontentes com a "miséria" do nosso salário. Não chega nem de perto para as tecnologiquisses ou para a viagem dos nossos sonhos. Não chega para comprar a roupa que queremos. Ora, não chega para nada. 

No entanto, o dinheiro estica e vamos sobrevivendo de uns meses para os outros. Que remédio, pois bem. Temos um teto que nos abriga da noite. Temos comida na mesa. Temos cuecas e meias lavadas para vestir todos os dias. Ou pelo menos, eu dou graças por ter tudo isto. 

Vamos lá ver, eu não sou praticante. Não sou religiosa. Sou uma mulher da ciência e acredito que as circunstâncias são criadas por nós ou são simplesmente coincidências. O mundo é pequeno, as coisas acontecem. No entanto, acredito que tudo o que nos acontece se reflete mais tarde e naquilo que é o nosso destino. 

Dou graças aos meus pais por me terem dado uma educação de valor, por me terem pago um curso superior e por me terem apoiado incansavelmente quando quis mudar a meio do primeiro ano. Dou graças ao centro de emprego que me encontrou o primeiro estágio e me permitiu que não parasse de trabalhar desde então. 

Dou graças à proposta de doutoramento que me permitiu passar por uma mudança radical e por me ter apresentado o minimalismo. Por me ter deixado pensar por mim mesma, que afinal vai contra a maré. Por me ter deixado expandir os meus horizontes e por me ter permitido estudar a filosofia.

Ser minimalista no século XXI é saber dizer que não. É saber votar tanto no governo como nas lojas onde fazemos as nossas compras.

É saber que mais é menos. É saber distinguir entre o que precisamos e o que queremos só para nos encher o ego. É preferir passar uma noite em casa a jogar jogos de tabuleiro com amigos e passar uma tarde a ler um bom livro em casa.

O minimalismo não é ter menos de 100 coisas ou dormir no chão. Não é andar de sofá em sofá com uma mochila às costas nem usar o mesmo par de calças o ano inteiro. Não me canso de dizer isto. Há quem o faça. Cada um vive o minimalismo como quer e não há regras.

Eu não o faço. Tenho a minha casa, tenho mais de 100 coisas e não durmo no chão. Tenho serviço de TV e internet, tenho uma bimby, vou a restaurantes e gosto de passear. Não ando por aí a dizer que sou minimalista, só as pessoas que lêem este blog sabem que o sou. E felizmente não se metem comigo a respeito disso. 

O minimalismo faz parte de mim. Acordou-me. Dou graças ao mundo por me ter mostrado o conceito e por fazer de mim uma pessoa muito mais completa do que era há uns anos atrás. 

Bom, isto tudo para dizer que há quem o faça e quem consiga remar contra a maré do consumismo. Não é preciso andar sempre em cima do acontecimento para ser feliz. Aliás, é precisamente o contrário. 

Faça uma pausa. Tire 15 minutos do seu dia e olhe ao redor. Porque é que está nesse lugar?

. Talvez esteja numa esplanada a beber um café ao final da tarde. Não é bom, poder tomar esse café e estar um sol de meter inveja?

. Ou então está no emprego, sentado(a) à secretária em frente do computador. Eu prometo que não digo ao patrão. Mas, e que tal? Poder estar num sítio que lhe dá dinheiro em troca do seu serviço?

. Está em casa, sentado(a) no sofá? Com o marido ou a esposa ao lado e com o filho a brincar no chão da sala? Ora que glorioso. 

Agora pegue num bloco de notas e escreva os motivos da sua gratidão. 

Faça isto todos os dias até se habituar a ver o mundo com outros olhos. Até se gratificar por estar sentado(a) na sanita e poder estar o tempo que quiser. Em Auschwitz e Birkenau, isso não era possível.

E agora vem o momento da propaganda. Viva ao minimalismo. Viva à expressão de liberdade e à consciencialização do povo. Deixem-se de coisas e abracem o que têm. 

Desafio 30 dias minimalista #21 a #25

Rita (porque minimalistas há muitas), 27.09.18

Bom dia malta! 

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Ora então vamos lá à primeira metade do último terço do desafio. 

 

#21 - Escreva por 20 minutos 

 

É relativamente fácil. Escrevi por 20 minutos ao contar os 5 dias anteriores do desafio. Mas acontece que gostava de escrever mais... Tenho sentido alguma falta em colocar todos os pensamentos e emoções no papel. O Milagre da Manhã (resumo aqui) é muito bom para isto. Experimentei há uns dias mas ainda não cheguei a fazer uma semana completa. As minhas noites têm-se alargado um pouco mais e não tenho tempo para seguir os fundamentos do livro todos os dias de manhã. Vou ter que definitivamente arranjar tempo para este ritual porque resulta mesmo, e é muito muito bom. 

 

#22 - Crie uma rotina relaxante para a hora de dormir 

 

Este é provavelmente o único que vou falhar no mês. Não quer dizer que antes do desafio acabar não o faça, mas por enquanto não está realizado. A minha rotina ideal relaxante para dormir trata-se de um chá quente, umas boas páginas de livro - sem TV nem internet. Neste momento, tenho o hábito de ver vídeos inspiracionais no youtube e vejo-me à rasca para adormecer. 

 

#23 - Saia sem maquilhagem 

 

Oh. Easy. Nunca uso maquilhagem. Garantidamente há mais de meio ano. Antes disso, usava muito esporadicamente quando não gostava do que via de manhã em frente ao espelho. Mas agora já não acontece. Caramba, se a Alicia Keys o faz, quem sou eu para andar para aí toda empinocada e cheia de pastas? Eu dou por mim a usar o perfume que tenho porque acaba por perder as propriedades do cheiro!  É o cabo dos trabalhos!

 

#24 - Pratique gratidão 

 

Conheci a Monja Coen. Obrigada Purpurina, pela tua rúbrica nova que já anda a mudar pessoas. Eu incluo-me no grupo! A monja Coen é muito boa oradora, adoro ouvi-la. A gratidão ficou completamente reformulada na minha cabeça assim que comecei a ver os vídeos dela. Tem palestras inteiras online! - E não é que estou a começar a interessar-me pelo budismo?

 

#25 - Não faça planos para este dia 

O dia foi muito bom. Celebrei o aniversário de um amigo e o meu. Um antes da meia noite e o outro depois. Fomos beber uns copos a meio da semana e soube tão bem. É bom fugir às rotinas, não é? 

 

O que já aprendi com este desafio?

 

Que nesta fase da minha vida é muito mais fácil escrever do que na primária, quando tínhamos de escrever as redações e levávamos TPC enormes para casa.   Que cada um tem a sua estratégia para este desafio e o adapta às suas necessidades e formas de ver a vida. Não há ninguém igual. Nada é fixo e tudo se transforma. Nunca passamos pela mesma coisa mais do que uma vez. Temos de aproveitar o agora! Apreciar o que realmente importa.  Que não é importante termos cada segundo das nossas vidas planeado. Podemos ir com a maré ou contra ela, de acordo com os nossos ideais e princípios.  Aprendi com este desafio, que é preciso relaxar. Não pensar demasiado em tudo!