Fui ao casino.

Oh, se fui!
E não é que não gostei nada da experiência? Quero dizer, eu até entrei com 10€ e saí com 50€, devia estar a sentir-me bem com isto de ganhar dinheiro, mas caramba - não gostei nada daquilo.
Primeiro, porque toda a gente tem as caras viradas para as máquinas e para os jogos de mesa como se não existisse mais nada no mundo e como se estivessem com uma dor de barriga de não chegar a tempo da casa de banho. Parecia que estava num episódio de Black Mirror. Além do mais, têm de tal ordem uma poker face que até enerva. Estejam nas máquinas ou na roleta.
Segundo, porque é tudo tão escuro e com cores de discoteca e de bares noturnos, que fazem lembrar as danças de varão que aparecem nos filmes. Um ambiente super pesado. Não pensem que vão para lá divertir-se, porque mesmo que tenham uma conta bancária que pague 500 Ronaldos e Beyoncés, acho que nunca ninguém gostou de gastar dinheiro à bruta. Ricos não se fazem em casinos.

Terceiro, porque pela primeira vez na minha vida senti aquelas-más-energias-que-só-pessoas-estranhas-é-que-sentem a tal ponto de eu ter ficado com um peso muito pesado no estômago. Comentei até com o meu namorado. Sabem aquela sensação de saberem que vão ser despedidos do emprego, de não terem qualquer prospectiva de trabalho nos próximos 5 anos e estão prestes a perder a casa e a entrar no gabinete dos recursos humanos? Foi assim que me senti. Isto só passou umas duas horas depois de ter saído de lá.
Ora, pensem comigo. De que outro modo o casino conseguia pagar ordenados a dezenas de pessoas se os clientes ganhassem dinheiro lá dentro? Juro-vos que vi umas 40 pessoas a trabalhar lá dentro.
Outra coisa, para eu sair de lá com 50€ foi preciso alguém perder 100€. Alguém que não é o dono do casino, obviamente.
Bom, eu fui porque me convidaram. Por uma questão de convivência entre amigos e porque nunca lá tinha estado nem nunca me tinha ocorrido tal coisa. A verdade é que detestei.
Fica aqui uma das minhas aventuras como minimalista num mundo que não meu, quase como se fosse de outra galáxia. Acho que me sentia mais confortável em Marte.
