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Rumo ao Minimalismo

A minha viagem ao minimalismo, desperdício zero e vegetarianismo - Estou quase, quase lá!

Rumo ao Minimalismo

A minha viagem ao minimalismo, desperdício zero e vegetarianismo - Estou quase, quase lá!

A ciência por trás da felicidade #1 - emprego e dinheiro

Rita (porque minimalistas há muitas), 04.09.19

Olá malta!

Hoje venho falar-vos de um curso online que estou a fazer na Universidade de Yale, "A Ciência do Bem-Estar".

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"A Ciência do Bem-Estar" tem uma estrutura curricular muito interessante e qualquer pessoa pode fazer o curso de forma gratuita, se não quiser pagar o certificado de participação.

Para quem não conhece, a plataforma Coursera é uma óptima referência para quem quer expandir os seus horizontes, e para quem quer ter acesso a milhares de cursos leccionados pelas melhores universidades do mundo. A melhor parte: é tudo gratuito! Existe a opção de obter o certificado oficial para quem quiser enriquecer o currículo, que no fim de contas nem é assim tão caro.

Ora, "A Ciência do Bem-Estar" é lecionado por Laurie Santos, Professora de Psicologia e Diretora da Faculdade Silliman em Yale, e mostra os estudos científicos mais impressionantes que vocês possam imaginar sobre a felicidade e o que afinal nos move e nos faz feliz. Ao longo destes posts vou comentar convosco os principais resultados e conclusões. Ao fim e ao cabo, acabam por tirar o curso comigo. 

Um resumo do que se aprende e dos principais resultados da ciência:

Atenção que isto está cientificamente provado em diversos estudos feitos ao longo das últimas décadas. Não são balelas. Para quem estiver interessado em descobrir mais, aconselho muito fazerem o curso. Os vídeos são curtos e interessantes, e todas as referências e estudos de que falo aqui, estão no conteúdo do curso.

A falácia de G.I. Joe.ideia errada de que "saber" é metade do caminho andado. Não é metade do caminho nem é o suficiente para mudar comportamentos. Um exemplo muito simples: vejam a imagem de baixo. É uma ilusão de óptica, sabemos que no fundo as linhas têm o mesmo comprimento, mas não é possível ensinar os nossos olhos a ver as linhas tal como são. Continuam a parecer-nos diferentes. Certo? Então, "saber" não é suficiente para mudar o nosso comportamento. 

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Um bom emprego. Perguntaram a recém graduados qual seria a descida na sua felicidade, caso não conseguissem passar numa entrevista de emprego. A maioria respondeu que depois da notícia, a felicidade cairia cerca de 2.10 pontos em 10, quando na realidade, depois de acontecer, desceu apenas 0.68 pontos. Ok, e se a decisão de contratar fosse muito injusta para eles, como se a empresa estivesse a perder o melhor candidato? A média previa uma descida de 1.9 mas a descida real foi de 0.0 pontos. Na cabeça deles, lá arranjaram uma desculpa qualquer, e não aqueceu nem arrefeceu.

Outro inquérito revelou que o que as pessoas querem num emprego é um bom salário. Mas então, o que é um bom salário? Que número é suficiente para nos fazer feliz? E o que é ganhamos agora? 5 000€ por ano? 10 000€? 100 000? A verdade é que depende do que ganhamos. E em todos estes patamares as pessoas queriam sempre mais. Nunca é suficiente. Nos EUA, as pessoas gastaram 70 150 000 000$ em raspadinhas no ano de 2015. Isto é mais do que livros, música, bilhetes de cinema, de desporto e videojogos juntos. 

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Um outro estudo que fizeram em mais de 300 universidades mostra como os "ideais" de vida mudaram nas últimas décadas. A figura de cima mostra os principais resultados de um inquérito nacional (mais uma vez nos EUA) feito todos os anos entre 1967 e 2005. E então o que é que para "nós" é mesmo muito importante na vida - estar bem financeiramente ou desenvolver uma filosofia de vida significativa? Os papéis invertem-se, e hoje, claramente, o dinheiro é mais importante. 

Muitos estudos foram ainda feitos sobre a correlação entre o salário e a satisfação de vida. Para terem uma noção, uma correlação de 1 significa que a satisfação de vida aumenta conforme o salário que temos e vice versa, sem qualquer outro tipo de interferência e factor. Na realidade, a correlação entre uma coisa e outra é de 0,10, a média entre diversos países analisados. Nenhum deles apresentou uma correlação maior do que 0,24. Houve até valores negativos, como no Brasil e na Finlândia.

O estudo não foi feito em Portugal, mas a correlação é provavelmente muito alta, derivada principalmente à percentagem da população a salário mínimo e das nossas crises constantes e falta de condições laborais. A vida nos EUA e no norte da Europa é muito melhor do que a nossa, não há dúvidas disso. No entanto o Brasil também tem muita pobreza e o povo é feliz de qualquer jeito. Afinal é de onde vem o samba, não é? E nós cá temos o nosso Fado. 

A verdade é que o mesmo estudo foi feito comparando as nações ricas às pobres, e enquanto a felicidade em povos ricos se manteve constante, a felicidade nos povos mais pobres aumentou muito, conforme vêem na imagem em baixo. O acesso aos serviços a que muitos estamos habituados, nomeadamente água canalizada, saneamento ou rede elétrica, fazem diferença na escala da felicidade para quem não os tem. E portanto, a partir do momento em que temos dinheiro para as nossas necessidades básicas, o dinheiro não nos traz muito mais felicidade (ao contrário do que o marketing diz).

Outros estudos revelam ainda que a partir do momento em que temos dinheiro para as nossas necessidades básicas: não existe diminuição de stress, não existe alteração em sensações e emoções positivas (rir, felicidade, divertimento diário) nem diminuem as preocupações ou tristezas.

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A verdade é que com o acesso a toda a tecnologia que temos hoje em dia, todas estas "chupetas" que nos entretêm, a felicidade não aumentou. Pelo contrário:

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Comparando com a geração da década de 40, os novos adultos de hoje em dia crescem com muito mais dinheiro, menor felicidade e maior risco para a depressão e patologias sociais. Isto vai contra às melhorias de vida e condições para o bem-estar que têm surgido nas últimas décadas. Não faz sentido nenhum. 

Eu gostava muito de colocar aqui todos os estudos e resultados do resto do curso, mas o texto já vai longo. Ao longo dos próximos dias irei fazer algumas publicações a respeito deste assunto. 

 Até breve! 

Viver com simplicidade

Rita (porque minimalistas há muitas), 07.01.19

Olá malta!

 

Já não escrevo há algum tempo, é verdade. Decidi fazer uma pausa e "retrospectivar" sobre tudo o que se passa à minha volta nesta altura do ano, ou dos anos. De vez em quando gosto de fazer isto, afastar-me um bocado e concentrar-me nas minhas prioridades e estilo de vida. 

 

Viver com simplicidade. É isto que eu quero para mim e para a sociedade, não fosse esta uma das mais variadas mensagens que o Papa Francisco tem vindo a espalhar. Confesso-vos que apesar de ser cristã - porque assim me batizaram - não sou praticante.

 

Não sou praticante, mas gosto de ouvir o homem. Ele sabe do que fala, é sábio e cheio de experiência no que diz respeito à natureza humana. Tem de se manter atualizado.  Como o Portas, mas de uma forma menos quantitativa, estão a perceber?

 

Sorry about thatAnyway, passámos uma época anual de muito consumismo e de novas realizações pessoais, pelo que é tempo de pensarmos nas nossas atitudes perante o universo e no nosso modo de estar e de viver, tendo em conta a nossa pegada ecológica.

 

Todos os dias somos bombardeados com notícias sobre os mais variados temas direta ou indiretamente ligados ao consumismo. Desde a redução do plástico ao aquecimento global. Vocês sabem que não é tudo treta, não sabem? Digam-me que sim. É tudo verdade, está a acontecer rapidamente e pode não afetar-vos a vós mas certamente que irá afetar os vossos filhos. 

 

Tenho quatro desafios para vocês para 2019.

1. As perguntas:

 

Peguem em cada objeto que estão prestes a comprar e façam estas quatro perguntas:

 

- Preciso mesmo disto?

- Tenho alguma coisa em casa que faz a mesma coisa?

- Isto serve mais do que 2 propósitos diferentes?

- Consigo arranjar em segunda mão?

 

 

2.O tempo de espera:

 

Se o dito objeto custa mais do que 20€ e estiver a mais de 20 minutos de distância da vossa casa, esperem o número de dias correspondente ao preço. Custa 30€? Esperem um mês. Custa 300€? Esperem um ano. Se acharem muito radical, façam as vossas próprias regras e definam um intervalo de tempo que achem que se adequa às vossas necessidades. Nota: Comprar casa ou bens essenciais não conta, ok? 

 

3. O destralhe:

 

Ai como é bom destralhar e dar um novo propósito às coisas que não usamos! Evitem a todo o custo deitar coisas fora, porque já sabemos como funcionam os aterros certo? Ao longo do ano tentem destralhar um objeto por dia em vossa casa. E para deixar as coisas ainda mais interessantes: Que tal descartar/reutilizar/doar um objeto cada vez que entra algo novo em casa?  

 

4. Reduzir o consumo de carne:

 

Esta resolução para 2019 está na moda, e não podia deixar de colocar aqui o desafio. Que tal fazer duas ou três refeições por semana sem carne?

 

Parece-bos vem?

 

Um bom ano a todos!

Divirtam-se, sejam felizes e aconcheguem-se que está frio!

Vida = Igualdade

Rita (porque minimalistas há muitas), 20.11.18

Há quem lute por ela diariamente, há quem a despreze, há quem a deixe passar sem preocupações ou sofrimento e há quem lute pela falta dela nos outros.

 

Ao longo dos tempos, a vida de um homem sempre foi diferente da vida da mulher. Em qualquer canto do mundo

 

Gosto de acreditar que em Portugal, esta diferença tende a diminuir. Como diz Luísa Paixão em "Quem tem medo do feminismo", "Esta pergunta já não deveria fazer sentido, em pleno século XXI, num país democrático como o nosso, mas, infelizmente, ainda se impõe fazê-la, pois falar de feminismo leva-nos, invariavelmente, a uma discussão que termina com a necessidade de desconstruir argumentos tão falaciosos como os exageros de que são acusadas as mulheres na luta pelos seus direitos, em vez de operarem uma espécie de «milagre das rosas moderno», que levasse os homens a aceitarem a igualdade sem se sentirem ameaçados.  (...) As quotas, que começaram na política, têm de ser alargadas à cultura, às artes, ao desporto e a todas as vertentes da educação, desde a ciência e investigação até a aspetos tão práticos como a organização dos manuais escolares."

 

Sim, tende a diminuir, mas ainda não chegámos. Felizmente, cá por casa somos todos iguais. Quando há debate - há compreensão, há diálogo, há argumentação. 

 

Vamos lá ver uma coisa. O feminismo nunca foi colocar as mulheres acima de tudo. Nunca foi sobre os homens nem sobre colocá-los no seu lugar, nem nunca foi sobre o cavalheirismo. Trata-se de um movimento social, económico, político, filosófico (e de todos os outros). Trata-se de igualdade, meus caros. O cavalheirismo é outra coisa.

 

Às vezes sinto que esta luta já vem das gerações passadas. Sempre fez parte de mim. As minhas colegas da blogoesfera que o digam. Não sentem que o nosso dia a dia é uma luta constante pela igualdade? Como se tivéssemos de provar o nosso valor todos os santos dias? Como se tudo o que fizéssemos tem de ser aprovado e justificado perante os homens da vida? Bolas, até os produtos no supermercado são mais caros para nós. Aqui - em Portugal - no nosso cantinho do céu.

 

Em Portugal, onde a disparidade de salários ainda existe e onde claramente há tarefas para homens e tarefas para mulheres. Como se as mulheres não tivessem de fazer tudo o que os homens fazem, com menos recursos e mais produtividade. É como se a luta pela igualdade estivesse dentro de nós e fosse passado através das gerações anteriores. Eu acredito na herança epigenética. Carregamos isto dentro de nós.

 

Até que venha alguém - como o meu namorido - que nos mostre que não tem de ser assim. Mesmo depois de alguém dizer que "já não se fazem homens assim, como antigamente" ou que "há poucos", é mentira. É tão mentira que agora é que começam a aparecer. Assim de cabeça, lembro-me de alguns. Poucos, mas muito bons.

 

Felizmente estes poucos são meus. Familiares e amigos, que se não fossem eles, provavelmente não tinha esta mente aberta nem este "à vontade" para dizer tudo aquilo que quero dizer.

 

 

[Na continuação do desafio da escrita, dia 15 - Vida]

 

 

Diagrama para a resolução de problemas

Rita (porque minimalistas há muitas), 29.09.18

Já disse algures numa publicação que fico sempre com o melhor das pessoas que numa ou noutra fase passam por mim e interagem comigo. Ontem foi um daqueles dias que tive de me despedir de alguém - porque se deslocou no mapa mundo e não por qualquer outro motivo, atenção - e que em pouco tempo deixou a sua marca e nem se apercebeu.  

 

Aqui vos deixo o que me deixaram - o diagrama que resolve todos os nossos problemas:

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É tão simples assim. Só não concordo com o "Podes culpar outra pessoa" - de resto está tudo ok. Cada um que tire as suas próprias conclusões. Façam disto o vosso wallpaper ou ponham na porta do frigorífico e quando se sentirem assolados por um problema de qualquer natureza leiam o diagrama com atenção e pensem numa solução. Levem o tempo que quiserem, não há pressa. Não pode haver pressa. 

 

A vida é muito curta para andarmos nesta azáfama diária e constante. Esquecemo-nos das nossas prioridades. Preocupamo-nos muito com o que se passa na vida dos outros e preocupamo-nos em seguir as suas vidas como se isso nos completasse. Como se fôssemos buscar as respostas da existência do universo ao vizinho do lado e como se nos sentíssemos melhor ao absorver o máximo de informação alheia para não pensarmos na nossa própria existência.

 

Todos gostam que de uma maneira ou de outra as pessoas se importem connosco e nos sigam e acompanhem como se fôssemos muito interessantes - é uma das nossas naturezas. Mas há que ter um limite. Ninguém é mais importante ou interesante que nós. E cada um sabe que a sua vida ou a dos seus mais próximos é muito mais importante do que qualquer outra. Porque não começar a vivê-la?

 

Cada um leva com o seu corpo, feitio, hábitos e defeitos todos os santos dias. Todos os dias temos de lidar connosco, e todos os dias surgem oportunidades para nos melhorarmos um pouquinho de cada vez. São 365 dias de oportunidades por ano. São 18250 dias de oportunidades em 50 anos. Que idade tens? Quantos dias já desperdiçaste? E se te dissesse que nada acontece por acaso e que todos e tudo o que interage connosco de alguma forma acaba influenciado por nós?

 

Porque não, começar a preocuparmo-nos com o que realmente importa? Porque não, lutar pelo que queremos? Porque não, chegar aos 80 e não nos arrependermos do que aconteceu para trás? Do que não aconteceu para trás? Vamos lá viver a nossa vida da forma que merecemos e não da que os outros merecem. Pára com essa ânsia e vontade de saber tudo o que se passa no mundo e à tua volta. Já chega. Importa-te contigo, vive por ti que ninguém te faz feliz se não te fizeres feliz primeiro.

 

E a carapuça, serviu?